Portfólio virtual da jornalista Carolina Landi, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Informação, Comunicação e Saúde (PPGICS) - Turma 2010, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) - Fundação Oswaldo Cruz.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Registro brasileiro de ensaios clínicos é lançado em Brasília
Valiosa fonte de evidência sobre a eficácia e a segurança das intervenções em saúde, o ensaio clínico, quando registrado em bases de dados públicas, garante a pacientes e médicos acesso a informações sobre os efeitos clínicos, farmacológicos e farmacodinâmicos de um produto sob investigação. Nesse sentido, aumenta a transparência na pesquisa, fortalecendo o valor ético e científico dos estudos de intervenção e observacionais.
O registro de ensaios clínicos é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que desde 2007 coordena a Plataforma Internacional de Registro de Ensaios Clínicos, integrando dados provenientes de registros de países como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, China, Alemanha e Inglaterra, entre outros. “O desenvolvimento do RBEC é pautado pelas diretrizes estabelecidas pela OMS para a Rede de Registros Primários, para que o registro brasileiro possa integrar a Plataforma Internacional de Registro de Ensaios Clínicos”, afirma Josué Laguardia, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Icict e coordenador da iniciativa.
Em desenvolvimento pela Bireme e em fase de transferência de tecnologia para o Icict, que a partir de 2011 será responsável por hospedar e gerenciar o sistema, o RBEC já desperta interesse internacional. “Países que ainda não possuem uma plataforma para o registro de ensaios clínicos e desejam desenvolver um novo sistema estão sendo orientados pela OMS a conhecer o aplicativo brasileiro”, adianta Laguardia.
Fruto de um esforço conjunto do Ministério da Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), da Organização Panamericana de Saúde (Opas) e do Centro Latinoamericano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), o RBEC aumenta a eficácia dos esforços dos ensaios clínicos, na medida em que divulga o que, em geral, é publicado em revistas científicas e está sujeito ao chamado “viés da publicação”. Por essa razão, o RBEC torna-se uma vitrine para pesquisadores, empresas e centros de pesquisa, propiciando maior interação e inserção internacional, além de facilitar o acesso das empresas aos recursos de que necessita, atraindo parcerias e facilitando a busca de parcerias.
O RBEC está disponível em http://www.ensaiosclinicos.gov.br/
Por Cristiane D´Ávila
Fonte: ICICT
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Ciência, Tecnologia e Inovação: desenvolvimento e regulação
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Próxima aquisição
domingo, 7 de novembro de 2010
XV Congresso Brasileiro de Sociologia - Eu vou! :)
A Sociologia está baseada em uma firme tradição teórica e um consistente legado metodológico, ao mesmo tempo, que lida com questões contemporâneas que estão em permanente mutação. Dessa forma, somos desafiados a refletir de diversas maneiras sobre novos temas e novas formas de pensar que se impõem pela dinâmica da vida social.
O tema do XV Congresso Brasileiro de Sociologia pretende debater esta articulação entre a tradição e as transformações, inerentes ao objeto de estudo da nossa disciplina que são as relações sociais. A Sociologia é uma ciência da atualidade e lida com a articulação entre elementos da vida social, que se mantém ao longo da história de nossas sociedades, e as novas configurações que se impõem pela ação humana. Desse modo, ela se transforma como ciência porque precisa incorporar novas perspectivas e novas formas de compreensão da realidade.
Saiba mais sobre o evento aqui.
Reciis avalia entraves à democratização da comunicação no Brasil
Organizado pelo pesquisador Rodrigo Murtinho, do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces/Icict/Fiocruz), o debate reuniu Guillermo Mastrini, professor da Universidade de Quilmes, Argentina; Marcos Dantas, pesquisador do Programa de Pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bia Barbosa, representante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social e o pesquisador e jornalista Álvaro Nascimento, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).
Na opinião de Murtinho, especialista em pesquisas sobre políticas públicas de comunicação no Brasil e suas interações com a saúde, a oportunidade de reunir artigos em uma edição especial da Reciis denota a valorização deste tema no país. Ideia surgida durante o processo preparatório da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no final de 2009 - que incluiu a realização de um seminário na Fiocruz e de um fórum durante o IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, também no ano passado - a edição do suplemento traz para a agenda pública uma discussão relevante: as políticas nacionais de comunicação são um entrave ao avanço da democracia e ao exercício pleno da cidadania.
O exemplo argentino
O professor da Universidade de Quilmes Guillermo Mastrini elogiou a iniciativa do Icict, que por intermédio da veiculação de um periódico eletrônico de acesso livre traz, para a agenda de uma instituição de saúde, o tema da regulação dos meios de comunicação, pauta debatida atualmente de forma pioneira por diversos países latinoamericanos. De acordo com o especialista argentino, não é possível haver democratização da comunicação se não há regulação democrática da comunicação, uma vez que os interesses das corporações dos meios de comunicação não coincidem totalmente com os interesses da sociedade.
Para Mastrini, a aprovação na Argentina, a partir de ampla mobilização social, da nova Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual (Lei dos Meios), cuja lógica modifica os critérios de distribuição das concessões de rádio e televisão, dará acesso paritário ao espectro para canais púbico/estatais, comerciais e de instituições sem fins-lucrativos. A lei, segundo ele, altera profundamente a estrutura do setor naquele país, tornando o Estado responsável pela garantia do direito social à comunicação.
"Para que haja de fato mudanças no modelo de comunicação, é essencial que dois atores atuem em consônância: o Executivo e a sociedade civil. Somente estes dois atores podem fazer com que a lei, quando criada, seja um ponto de partida para a implementação de uma política de comunicação democrática", pondera Mastrini.
Na acepção do pesquisador da UFRJ Marcos Dantas, no Brasil dificilmente o próximo governo escapará da tarefa de conduzir e concluir um amplo debate sobre a reorganização legal do conjunto das comunicações brasileiras. "Há uma percepção generalizada, tanto nos movimentos populares organizados quanto nos empresariais, inclusive em segmentos do próprio aparelho estatal, de estarmos vivendo sob total caos normativo nessa área de políticas de comunicação", avalia.
Segundo ele, o modelo neoliberal, que coloca o consumidor acima do cidadão, com base em uma suposta "liberdade" de escolha, atende de fato ao capital, ao mercado, que sobrepõe o individual ao coletivo. Consequentemente, se anula o poder de controle dos meios de comunicação pela sociedade e, a partir daí, a própria democracia. Dantas completa: "hoje existe um pequeno grupo de produtores de conteúdo que decide como esse conteúdo (veiculado nos meios de comunicação) atingirá o público, por meio da convergência de várias mídias, sem qualquer elemento regulatório. Por isso é importante a transformação das propostas aprovadas na Confecom em leis".
Déficit democrático em comunicação
"Quem observa de perto o desenvolvimento das políticas de comunicação no Brasil, desde o início da década de 1980, vê políticas públicas e processos de regulamentação que, na maioria dos casos, favorecem grandes atores empresariais e são usados para a manutenção de uma situação que não se transformou significativamente, a despeito das evidentes mudanças tecnológicas", argumenta Bia Barbosa, jornalista, especialista em direitos humanos e representante do Intervozes.
De acordo com Barbosa, embora o Brasil assista, há décadas, a um crônico déficit democrático em seu setor de comunicação, as políticas do país para essa área seguem sem apontar para a transformação desse panorama. Diante dessa realidade, a sociedade civil tem se movimentado para dar corpo a iniciativas que não sejam simples campanhas pontuais, mas que proporcionem espaço para passos mais largos rumo a referentes democráticos. Entre elas, destacam-se a Conferência Nacional de Comunicação e as propostas de indicadores do desenvolvimento da mídia e do direito à comunicação, também implementadas pela Unesco.
"A pertinência de buscar indicadores para o direito à comunicação fica evidente ao se observar o quadro atual das comunicações no Brasil. Apenas seis redes privadas nacionais de televisão aberta e seus 138 grupos regionais afiliados controlam 667 veículos de comunicação. Seu vasto campo de influência se estende por 294 emissoras de televisão VHF, que abrangem mais de 90% das emissoras nacionais. Somam-se a elas mais 15 emissoras UHF, 122 emissoras de rádio AM, 184 emissoras FM e 50 jornais diários", alerta a jornalista do Intervozes.
O caso da propaganda de medicamentos: a omissão da Anvisa
A incapacidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de incorporar proposições de órgãos de consumidores, entidades científicas, profissionais de saúde e especialistas em uso correto de medicamentos, obedecendo a uma lógica em que atuam os interesses das empresas privadas do setor, patrocinadoras de campanhas políticas, foi o mote da apresentação de Álvaro Nascimento, pesquisador da Ensp.
Para Nascimento, que pesquisou no mestrado e no doutorado exemplos de uso abusivo e irregular da publicidade para a venda de remédios, a omissão da agência reguladora expõe a sociedade a sérios riscos.
"Ao rejeitar, no âmbito da Consulta Pública 84/2005, instaurada para elaborar uma nova Resolução, 19 proposições encaminhadas por órgãos de consumidores, entidades científicas, profissionais de saúde e especialistas em uso correto do medicamento, dentre eles o próprio ministro Temporão, a Anvisa manteve todas as principais fragilidades do modelo regulador anterior, deixando de equiparar o modelo brasileiro aos mais avançados no mundo", lamenta Nascimento.
De acordo com o pesquisador, na ocasião da Consulta Pública, a Anvisa sequer considerou a possibilidade de criação de dispositivos legais que assegurassem a proibição da propaganda de medicamentos para grande público (mantendo-a para prescritores), mesmo que essa sugestão tenha sido subscrita por 133 especialistas no uso correto do medicamento. Juntos, esses setores representavam nada menos que 59,6% do total de contribuintes à Consulta Pública. A proposta fora aprovada, inclusive, na 1ª Conferência Nacional de Vigilância Sanitária, organizada em 2001 pela própria Agência.
"Faz-se necessária a ampliação do debate sobre essa ferramenta como instrumento efetivo de participação e controle social, com vistas à criação de novos procedimentos e políticas que a tornem uma real instância de ausculta e incorporação de propostas de interesse da sociedade. É preciso impedir que esses processos não sofram interferência dos setores regulados e tragam prejuízo aos reais interesses da saúde pública", defende Nascimento.
Leia mais na edição especial da Reciis.
Fonte: http://www.fiocruz.br/icict/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1848&sid=18
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
De volta ao blog!
Após quase dois meses de muita leitura para a dissertação e da produção, assessoria e cobertura do X Seminário do Projeto Integralidade, estou de volta ao meu cantinho virtual. Nesse breve tempo, tive algumas ideias para atualizar esse espaço, mas sempre deixava para depois, devido às demandas mais urgentes do período - entre elas, "desafogar" parte dos textos selecionados para dar um início real à construção do meu trabalho final de mestrado.
Combinei com a minha orientadora (Marcia Teixeira) que, entre os meses de setembro e outubro, começaríamos a construir o meu projeto para qualificação. Um pequeno esboço do que foi feito até o momento já se encontra disponível no meu Dropbox, assim como a nova organização de pastas dos documentos relativos à dissertação, e um relatório das leituras desse período.
Os últimos dois meses foram de imersão no campo da Pesquisa Colaborativa - autores (Chompalov e Shrum, Katz e Martin, Cummings e Kiesler, e Martin-Rodríguéz foram os mais relevantes) e conceitos sobre o tema e o papel da comunicação para a área, ainda pouco explorada pela maior parte dos artigos lidos até agora. Também realizei um levantamento dos documentos existentes na rede sobre os objetos de pesquisa (Instituto Virtual da Dengue - IVD) e Programa Integrado da Doença de Chagas (PDIC), para conhecer a história e a estrutura de ambos, com vistas a auxiliar na construção do projeto e da entrevista semi-estruturada, metodologia que elegemos para este trabalho.
Próximo passo? Partir para a construção dos trabalhos finais das disciplinas desse semestre. ;)
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Sobre os novos objetos
No Rio de Janeiro, por iniciativa de grupos da UFRJ, FIOCRUZ, UFF, UERJ e UENF têm-se procurado organizar uma rede de pesquisadores em dengue, que foi a base sobre a qual foi gerada a proposta de constituição do Instituto Virtual da Dengue-RJ. No total, mais de sessenta projetos envolvendo inúmeros pesquisadores e estudantes de pós-graduação e de iniciação científica irão estudar diversos aspectos da doença, desde a biologia estrutural e a genômica do vírus, a fisiologia e a ecologia do mosquito, a interação do vírus com as células humanas e do inseto, passando pela busca de formas de tratamento e prevenção da dengue através do controle do vetor e do desenvolvimento de vacinas, até a pesquisa acerca do papel da educação e da informação no combate a dengue.
PIDC - Programa Integrado de Doença de Chagas
O PIDC, Programa Integrado de Doença de Chagas, começou a ser articulado a partir de iniciativa de pesquisadores da Fiocruz reunidos em Cachoeiras de Macacu-RJ em 2000. Em novembro de 2005, momento de maior maturidade institucional e apropriado ao desenvolvimento de trabalhos em redes temáticas, foi realizado o II Encontro do PIDC, em Caxambu-MG. Em reunião em janeiro de 2006, o PIDC foi oficialmente criado com apoio da Vice Presidência de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico, reunindo pesquisadores das diversas Unidades da Fiocruz. O PIDC procura articular a cooperação entre pesquisadores em redes temáticas, de modo a aumentar a eficiência da pesquisa institucional e fortalecer a capacidade de captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas relevantes que dêem retorno à sociedade. Esta iniciativa vem assegurar uma contribuição efetiva da Fiocruz para o controle da doença de Chagas no século XXI, com metas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, buscando, em especial, resultados no ano do centenário de sua descoberta (2009).
Leitura complementar
A Magia dos mundos virtuais está cada dia mais ao alcance do grande público: o número de usuários das redes mundiais de comunicação informatizada aumenta 10% ao mês. As "auto-estradas da informação" e a multimídia interativa anunciam uma mutação nos modos de comunicação e de acesso ao saber. Emerge um novo meio de comunicação, de pensamento e de trabalho para as sociedades humanas: o ciberespaço. Como nossa cultura será afetada por ele? Teremos apenas uma supertevê ou renovaremos o vínculo social no sentido de uma maior fraternidade? Neste livro, Pierre Lévy nos convida a pensar, além do impacto das técnicas sobre a sociedade, em termos de projeto. Os novos meios de comunicação permitem aos grupos humanos pôr em comum seu saber e seu imaginário. Forma social inédita, o coletivo inteligente pode inventar uma "democracia em tempo real", uma ética de hospitalidade, uma estética de invenção, uma economia das qualidades humanas. O autor situa o projeto da inteligência coletiva em uma perspectiva antropológica de longa duração. Depois de ter sido fundados na relação com os cosmos, na "pertença" aos territórios e finalmente na inserção no processo econômico, a identidade de pessoas e o vínculo social poderiam expandir-se no intercâmbio de conhecimentos.
Uma Rede Social para Pesquisa Colaborativa
Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco criou o Labbos, uma rede social que visa estimular a colaboração entre pesquisadores de áreas de pesquisa semelhantes. Segundo os estudantes, quando bem organizadas e estruturadas, redes sociais podem contribuir significativamente com o desenvolvimento da pesquisa científica através da colaboração e cooperação entre os participantes.
Atualmente, existem alguns serviços que auxiliam pesquisadores em tarefas específicas. Entre alguns destes
serviços podemos destacar: publicação de artigos no PLoS ONE, compartilhamento de referências científicas no CiteULike e integração de pesquisadores na rede social BiomedExperts.
Mais sobre o projeto Labbos aqui.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Agosto, mês do desgosto?
Após os trabalhos finais e "férias" (apenas das aulas), estou de volta. Passadas as noites em claro, à base de muita cafeína, e a preocupação com os resultados (positivos, por sinal) das avaliações, posso dizer que finalmente minha vida acadêmica começa a dar os primeiros passos. O mês de agosto, ao contrário do que dizem por aí, só trouxe gratas surpresas. A primeira delas é que, agora, sou bolsista da Capes. Ou seja: dedicação exclusiva para aulas, participação em pesquisa, congressos, seminários, etc. Paradoxalmente, significa também um pouco mais de tranquilidade.
A segunda é que já tenho orientadora (a Profª Marcia de Oliveira Teixeira), tema e título (ainda que provisório) da dissertação: O uso de estratégias de comunicação e de redes de pesquisa: o estudo de caso do Instituto Virtual da Dengue e do Programa Integrado de Pesquisa em Chagas. Estou associada ao Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia, Educação e Cultura (CiTec).
As novidades não param aí: mudei para a famosa Linha 1: Informação, Comunicação e Inovações em Saúde, feliz da vida. E animada para conhecer a produção dos meus novos (mas nem tanto) colegas.
Não estou assustada com os 107 textos da pesquisa que tenho para ler, nem com o fato de ter de me apresentar de "surpresa" amanhã. E isso é inédito.
sábado, 5 de junho de 2010
Wishing List - Livros
BURKE, Peter: Uma história social da mídia - De Gutemberg à Internet
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede (2007, Ed. Paz e Terra, 10ª edição)
DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a mídia. (2003, Ed. Atlas, 2ª edição)
Conceitos
Alguns conceitos básicos que pretendo trabalhar:
Comunicação:
- Processo social básico
- Universidade: Fim é a produção de conhecimento
- Graça Monteiro (2003): a divulgação das instituições tem caráter intencional e negociado, com a intenção de dar aos acontecimentos existência pública baseada em cinco motivos:
- Tornar-se referência em seu campo de atuação;
- Conquistar simpatia, credibilidade e confiança - influência político-social;
- Vincula-se aos aspectos institucionais;
- Estabelece um conceito público para a instituição (difusão de informações de interesse público);
- Colabora na construção da identidade e da imagem.
"Tornar público o trabalho da instituição tem como finalidade uma prestação de contas à sociedade, para que ela possa avaliar o que está sendo feito e verificar se está de acordo com seus interesses e necessidade" (Graça França Monteiro, 2003)
sexta-feira, 28 de maio de 2010
More, more, more...
- Terminar matérias do BoletIN do Lappis;
- Ler e fichar os artigos de Regime de Produção de Conhecimento para esta semana;
- Preparar fichamento e artigos para apresentar na aula de Fundamentos Teóricos.
domingo, 23 de maio de 2010
I can see clearly now, the rain is gone
Gracias Monica e Carol, por lerem e comentarem neste singelo blog. ;) E Pat Tiemi, Marina *Maria Morena* e Dani Savaget pela visita.
sábado, 15 de maio de 2010
A Lua em Peixes
Bastante empáticos, são tocados pelos sentimentos e emoções dos outros. É crítico para eles manterem uma fronteira emocional e separar as suas impressões e emoções das dos outros. Imaginativos, podem sentir coisas e reagir a elas sem que nada daquilo esteja realmente acontecendo. Funcionam melhor se tiverem um despertar, um começo de dia suave, porque vão voltando do estado do sonho e do sono aos poucos.
Pessoas com a Lua em Peixes são vulneráveis a cair em ilusão e encantamentos. Muitos vezes têm emoções confusas, com a sensação de que algo está acontecendo ou para acontecer sem detectar exatamente o que seja. Sentem tudo, pressentem tudo. Impressionam-se com tudo. Como uma pedrinha jogada na superfície de um lago e que produz sucessivas ondas por vários minutos. Embora o estímulo seja pequeno a reação é ampla.
Sentem-se bem ajudando as pessoas em aflição e apuros. Pode haver uma grande riqueza e um variado repertório emocional nessa personalidade. Há algo de sutil em como percebem os sentimentos alheios e captam a atmosfera dos ambientes. Há um grande anseio de fusão através dos vínculos emocionais. Elas sabem que no terrenos da emoções as coisas não são arrumadinhas. O que as pessoas dizem, não é o que elas sentem. O que elas sentem, não é o que elas sabem, etc. Que tudo é muito sutil, variável e possível, portanto, em matéria de sentimento e reações não se pode levar tudo ao pé da letra.
Tratar com delicadeza, sem crítica, sem julgamento, com aceitação e compreensão os próprios sentimentos e os dos outros é uma grande qualidade dessa Lua. Quando não estão bem, para se confortarem começam a imaginar uma situação idílica, melhor e que não tem nada a ver com aquilo que estão vivendo.
Saber que não estão isolados nos seus sentimentos; que não são os únicos a sentir aquilo... que aquilo que sentem todos sentem num dado momento, sob certas condições, é o que torna possível o contato entre as pessoas. Elas se nutrem e nutrem os demais poetizando as coisas. Facilmente entram no terreno da fantasia e das possibilidades irreais para se confortarem. Muitas vezes não sabem porque estão sentindo o que estão sentindo.
Fonte: www.marciamattos.com.br
Demandas do fim de semana ou tudoaomesmotempoagora - ATUALIZADO
- Fichamento do "Raça e História", de Lévi-Strauss; (ok!)
- Fichamentos da aula de Regimes de Produção do Conhecimento; (ok!)
- Preparar entrevistas para o BoletIN do Lappis; (ok!)
- Textos de Marcia Teixeira e Marteleto para ler; (ok!!)
- Preparar pauta de TRÊS edições retroativas do "Jornal do Morhan" (o "esqueleto" de duas edições já está pronto - sim, após quase dois meses...)
sábado, 8 de maio de 2010
Ch-ch-changes
Como jornalista, estou acostumada a dar voz ao outro. Transmitir as informações da maneira mais literal possível - claro, sempre prevalecendo o bom senso. Após fazer isso por quase cinco anos, sinto minha criatividade enferrujada. Ao mesmo tempo, estou vivendo um brainstorm desenfreado (para o desespero da coordenação do curso, posso perceber) no que toca ao tema da dissertação.
Não vou mentir: muita coisa me interessa. A saúde ainda é um tema estrangeiro para mim, embora tenha passado os últimos anos produzindo produtos de comunicação voltados para esta seara. Para os que não sabem, toda a minha formação está voltada para o Jornalismo Cultural - tendo especialização na área e um TCC permeando a obra do grande cineasta e coreógrafo Bob Fosse (alguém aí já assistiu "All That Jazz"?). Não faz sentido dizer que o meu envolvimento com o SUS tenha sido mero acaso - se não tivesse pego gosto pelo campo, pularia fora em algumas semanas.
Como sabem, comecei como voluntária do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) e, desde 2007, atuo na comunicação do Laboratório de Pesquisas sobre Práticas de Integralidade em Saúde (Lappis) - onde tive contato for real com a Saúde Coletiva, sob vários prismas. Mas a profissão jornalista é generalista (desculpem, não encontrei outro termo) por definição: diz a lenda que sabemos "um pouco de tudo e muito de nada". A correria das entrevistas, eventos e divulgações não me permitiu investigar a área com profundidade. Somente agora, após os dois primeiros meses do mestrado, posso dizer que há uma profissional da comunicação e da saúde em desenvolvimento.
Quem entrou aqui (os convidados, obviamente: finalmente aprendi a "fechar" o blog), já sabe que o endereço mudou: agora é http://www.diariovirtualdepesquisa.blogspot.com/ . A opção por um nome genérico permite informar a real função desse veículo, que é fazer um espaço de apuração com o intuito de auxiliar a construção da minha pesquisa. Não se trata, embora possa acontecer, de fazer uma análise in loco dos meios de comunicação online sobre a saúde.
Bem vindos novamente! ;)
PS: O título dessa postagem é uma citação da música "Changes", do meu queridíssimo David Bowie.
PS 2: Gostaria, ainda, de agradecer à minha colega de mestrado Carol Pires Araújo, que sem querer me convenceu a continuar com esse blog.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Tirando a poeira!
domingo, 11 de abril de 2010
Twitter e Facebook: o que eles têm a ver com sua saúde
Assim, alguns profissionais viram nas redes sociais uma ferramenta única para orientar os pacientes. Existem mais de 100 delas, em mais de vinte línguas. As mais populares, atualmente, no Brasil são: Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e LinkedIn. Só que, para auxiliar a saúde, seu uso ainda está engatinhando no Brasil.
Elizabeth Han, engenheira biomédica da Universidade de Toronto, nos Estados Unidos, vai mais longe. Em seu blog, ela sugere que as pessoas com as mesmas condições médicas “tuítem” sobre um tema usando uma tag – palavra-chave escrita usando o símbolo “#” seguido por determinadas letras. Mas para quê?
Durante a reunião de um grupo de apoio, o profissional que conduz o encontro pode debater os sentimentos postados no Twitter ao longo dos dias. Fora do horário das reuniões, as pessoas podem buscar apoio umas nas outras, usando as redes sociais. Além disso, o material postado pode fornecer dados para estudos sobre o comportamento humano.
No Canadá, dois pesquisadores publicaram um artigo científico sobre a análise dos tweets durante o surto de gripe suína, em 2009. Entre os dias 28 de abril e 11 de maio de 2009, Cynthia Mei Chew e Gunther Eysenbach, da Universidade de Toronto, Canadá, arquivaram mais de 300 mil tweets contendo as tags: “swine flu”, (gripe suína) e “H1N1”.
A análise preliminar de 400 tweets mostrou que 46% deles compartilhavam informações comuns sobre o tema, 36% citavam notícias ou links e 19% eram sobre educação pública em saúde. Somente sete casos apresentavam desinformação. Conclusão dos pesquisadores: “O serviço está sendo utilizado para distribuir notícias e informações de fontes confiáveis”.
Assim, o Twitter pode ser uma importante ferramenta para auxiliar pacientes e direcionar os profissionais da saúde. No inverno do ano passado, quando o vírus da gripe H1N1 se alastrava pelo Brasil, o Ministério da Saúde dispunha todos os dias atualizações sobre a doença no seu perfil do Twitter. Todos podiam acompanhar os dados oficiais e tirar dúvidas sobre a doença. Além disso, o Ministério também mantém um formulário de perguntas online, o Formspring, respondendo às dúvidas dos cidadãos.
O neurologista Ricardo Afonso Teixeira, que mantém o blog ConsCiência no Dia-a-Dia, no ano passado inaugurou seu perfil no Twitter. De acordo com o médico, seu objetivo na internet é “a difusão das mais recentes publicações científicas em saúde que tenham impacto direto no dia a dia das pessoas, com linguagem acessível e forte enfoque na saúde preventiva”. Ele posta no Twitter dicas relacionada às novidades na sua área. Como, por exemplo, um estudo que descobriu que o glaucoma – aumento da pressão intra-ocular – começa no cérebro e não no olho, como se imaginava.
E o que as pessoas leigas, sem vínculos com grupos e hospitais, ganham com isso? Do outro lado da tela, os parentes, amigos ou os próprios pacientes encontram informações confiáveis e um modo de tirar certas dúvidas, além do apoio de outras pessoas que sofrem com o mesmo problema. É comum os pacientes debaterem entre si sobre soluções encontradas, dicas e alternativas. Dessa forma, é possível amenizar um pouco dessa angústia. Consequentemente, muitos pacientes acabam respondendo melhor aos tratamentos.
Sabendo disso, o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) e o Hemocentro de Ribeirão Preto entraram no Facebook. O primeiro possui um grupo onde as pessoas participam com fotos e mensagens. O segundo criou um perfil próprio, onde escreve sobre suas atividades. No Orkut, são inúmeras as páginas como a Diabetes Brasil que aborda tudo sobre a doença. Nessas comunidades, todos debatem abertamente sobre o que os afligem. Por tudo isso e pelo que pode vir, é a hora dos profissionais investirem na chamada web 2.0.
Fonte: Comunidade de Saúde em Rede
Twitter – Usos na saúde pública
Phil Baumann (@philbaumann) em seu blog comentava, ainda em Janeiro passado que o twitter oferecia simplicidade de concepção funcional, velocidade de entrega e capacidade de conectar duas ou mais pessoas ao redor do mundo e seria um poderoso meio de comunicação, a ideia de compartilhamento e colaboração é um grande atrativo quando se trata de saúde pública.
Neste mesmo texto, Baumann aponta 140 usos do twitter para fins de saúde. Vamos relembrar alguns deles.
1. Recrutamento de tecidos (para rins e órgãos de outros, incluindo o sangue) – Sobre esta aplicação já escrevemos post do uso de telemóveis.
2. Pesquisa epidemiológica.
3. Alerta de desastre e resposta – Uma aplicação que efetivamente pode salvar vidas, ultimamente o país tem passado por vários situações que necessitam alertas rápidos.
4. Gestão de equipe de resposta de emergência.
5. Tratamento de suporte para pacientes e familiares.
6. Gestão de Diabetes (monitoramento de glicose no sangue).
7. Notificação de eventos adversos na prática clínica e outras funções de farmacovigilância.
8. Emissor de valores laboratoriais fundamental para enfermeiros e médicos.
9. Organizando atendimento ambulatorial.
10. Dicas de saúde diárias a partir de fontes autorizadas.
11. Parecer médico-compartilhando.
12. Micro-compartilhamento dos resultados de diagnóstico (análises de sangue, ecocardiograma, imagens radiológicas).
13. Enfermagem orientação e colaboração.
14. Angariação de fundos para os hospitais e as causas relacionadas com a saúde.
15. Últimos avanços em dispositivos biomédicos.
16. Conferências médicas.
17. Administração hospitalar.
18. Marcação de consultas com os prestadores de cuidados de saúde.
19. Monitoramento da segurança e eficácia dos produtos farmacêuticos.
20. Rastreamento de notícias HIV – @hivBR.
21. Seguindo o progresso do desenvolvimento de produtos farmacêuticos.
22. Vacinação/ locais de serviços de imunização, hora e lembretes.
23. Facilitar processos de transferência de paciente.
Fonte: http://www.plugbr.net/twitter-usos-na-saude-publica/
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A divulgação de informações médicas na internet
Trans...o quê?
Durante a minha pesquisa sobre internet e saúde na web, me deparei com esse vídeo:
A equipe do site Nós da Comunicação perguntou para vários especialistas da área o que era transdisciplinaridade. As respostas foram hilárias. Regina Migliori, presidente do Instituto Migliori e consultora em Cultura de Paz da Unesco, dá a palavra final sobre esse tão palpitante tema.
terça-feira, 6 de abril de 2010
A web 2.0 e a importância das redes organizacionais*
Parte 6
As pesquisas mostram que a Internet se tornou rapidamente a fonte mais importante de informações médicas, tanto para leigos como para profissionais. Com base nos resultados obtidos até agora, sugerimos que a utilização da Internet em campanhas de saúde possa ser otimizada adotando certas hipóteses, que relacionamos a seguir.
- O maior rendimento das campanhas de saúde advém da sinergia gerada pelo uso de diversos meios de comunicação, cada qual desempenhando um papel no processo. Nessas circunstâncias, a Internet é exponenciada pela divulgação dos sites pelos meios de massa.
- As vantagens da Internet - informação sob demanda e interatividade - têm uma contrapartida: o número de acessos aos sites é menor do que a audiência a um meio de massa, como a de um canal de TV, por exemplo. Via de regra, a Internet tem uma utilização mais personalizada em termos de preferências e essa característica precisa ser levada em conta no planejamento das campanhas. Para se destacarem em face à quantidade enorme de oferta de páginas de saúde disponível na rede, é importante que os sites ofereçam alguma exclusividade, um "plus" próprio, como por exemplo, o desenvolvimento de sites sobre temas específicos, ou o oferecimento de recursos de interatividade (como respostas a perguntas individuais).
- O crescimento da Internet no Brasil deverá se estabilizar em breve, no momento em que o mercado de classe média estiver atendido ao limite. Considerando a importância das informações de saúde para classes populares, a Internet não parece ainda adequada como veículo principal para campanhas de massa (vacinações, alertas, prevenção, vida saudável), embora seja imprescindível como subsidiária, fornecendo as referências básicas para coordenadores locais e líderes de opinião, como central virtual da organização de intervenções, para esclarecimento de dúvidas específicas, etc. O que também a recomenda, nesse aspecto é que, como meio de disponibilização ela é inexcedível hoje, viabilizando a oferta de quantidades maciças de informação, acessíveis de forma, rápida, barata e seletiva, por meio dos recursos do hipertexto.
Em vista da exclusão digital, é preciso implementar ações decisivas, por exemplo, a oferta pelo mercado de computadores populares, de arquitetura enxuta e com software aberto, cujo sistema operacional e aplicativos estariam disponíveis na rede. Financiados aos usuários e disseminados em escolas, bibliotecas, e outras agências do Estado seriam um meio para viabilizar a inserção digital. - É importante fortalecer os sistemas de certificação de qualidade dos sites de saúde, como forma de oferecer segurança do usuário sobre a qualidade das informações oferecidas.
- O usuário de Internet em saúde procura, basicamente, informações médicas, como caracterização e prognósticos de doenças e tratamentos. Ou seja, muitas vezes dizemos saúde mas estamos, a rigor, falando de medicina. As pesquisas não revelam a busca de informações sobre vida saudável, que envolve prevenção e promoção da saúde. O velho padrão curativo se repete no novíssimo meio, mas por isso mesmo é necessário investir mais nos enfoques preventivos e pró-ativos.
- Formas indiretas de utilização da Internet para viabilizar a comunicação em saúde podem ser implementadas, como a disponibilização de materiais para utilização em campanhas de saúde. Folhetos, livros, prospectos, cartazes, podem ser disponibilizados na rede para impressão por organizadores locais, em escolas, igrejas, clubes e locais de trabalho. Boletins regulares podem ser distribuídos via e-mail para jornais e rádios, agendando pautas de saúde, conforme calendários de eventos, defendendo políticas ou notícias. Essas utilizações híbridas incrementariam as vantagens relativas dos meios e ampliando seu papel na comunicação em saúde. A Internet também pode hospedar bancos de dados virtuais em português sobre saúde, comunicação e saúde pública, acervos bibliográficos para educadores, pais, assistentes sociais, enfermeiras, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais envolvidos com a promoção da saúde.
Parte 5
Napoli (in RICE e KATZ, 2001) ressalta a importância dos processos de busca de informação em saúde pelos usuários da Internet e faz inferências sobre como eles afetam o seu cuidado de saúde no contexto específico da Internet. Para ele, a compreensão do processo de recepção da informação dos usuários é essencial para a efetividade da interação entre os provedores e o público.
O autor apresenta três modelos de busca de informação: a) o modelo de sinergia; b) o modelo compreensivo de busca de informação e c) a abordagem de produção de sentido.
O modelo de sinergia apresenta as pessoas alertadas inicialmente por tópicos específicos pelos meios de massa. Cria-se a consciência do problema e os indivíduos são motivados a adotar tentativas de mudança de comportamento. Os obstáculos na realização dessa mudança de conduta preparam os indivíduos para pesquisar mais e buscar apoio. As pessoas recorrem à rede interpessoal, na qual podem obter mais especificidade e feedback imediato. Simultaneamente, consultam os meios que oferecem mais detalhe e profundidade sobre o assunto. Ou seja, o modelo de sinergia sugere que as comunicações mediadas têm diferentes funções, umas agindo para dar informação geral a grandes audiências, outras funcionando como a comunicação interpessoal, oferecendo informações mais específicas. Mas essa dicotomia não é aceita como pacífica, uma vez que muitos meios podem servir a diferentes funções. No caso da Internet, seria importante determinar a exata natureza das percepções da audiência sobre as características desse meio de comunicação, pois essas percepções provavelmente determinam o papel da rede nas etapas do modelo de sinergia.
O modelo compreensivo de busca de informação focaliza quatro fatores relacionados à saúde: demográficos, experiência direta, saliência e crenças.
Os fatores demográficos, como idade e grau de escolaridade, por exemplo, aparecem associados a diversos tipos de comportamento em relação à saúde, inclusive a busca de informação.
A experiência direta tem sido indicada como um fator significativo a afetar a busca de informação, pois indivíduos que sofrem de uma doença ou estão próximos a alguém doente são muito mais propensos a buscar informação sobre o problema do que pessoas simplesmente curiosas.
O terceiro fator, saliência, se refere ao significado pessoal da informação sobre saúde para uma pessoa e está relacionado ao grau de ameaça à saúde percebida sentida por essa pessoa.
O quarto fator que afeta a busca de informação de saúde são as crenças, ou seja a percepção que as pessoas têm do controle do futuro ou dos métodos efetivos de prevenção e controle.
Esses fatores de informação se organizam em duas grandes categorias a) características dos portadores de informação e b) utilidade. As características dos portadores de informação investigadas incluem tom editorial, compreensibilidade, potencial de comunicação, as quais oferecem um ponto de partida para o estudo da Internet. As vantagens da rede mencionadas por usuários foram: não precisar incomodar seu médico, desejo de uma resposta rápida, o fato de as pessoas não compreenderem as respostas dos médicos ou ficarem muito constrangidas de perguntar pessoalmente a um médico, o alto valor dado pelas pessoas para a informação da Internet, por ser talhada para as preocupações particulares. Ou seja, anonimato, interatividade, oportunidade (timeliness) e clareza são critérios avaliativos importantes para o uso da Internet na informação de saúde.
A segunda categoria citada, utilidade, se refere a se a informação da fonte é importante e relevante para as necessidades específicas da pessoa.
A abordagem de construção de sentido difere das anteriores ao enfatizar que a informação é socialmente construída, ou seja é criada pelos observadores, dos quais nunca pode ser separada. Assim, a comunicação da informação deve ser conceptualizada não em termos de transmissão de informação de um emissor para um receptor, mas, antes, em termos de um diálogo entre ambas as partes, com a instituição (o provedor de informação) e a audiência concebidas como parceiras semelhantes. O sentido construído pelas pessoas a partir das mensagens dos meios não se limita ao que as fontes pretendem, mas é sempre enriquecido pelo que as pessoas criam. Essa abordagem focaliza tipicamente como os indivíduos tratam os hiatos de informação ou descontinuidades de seu conhecimento. O foco na maneira como as pessoas tentam resolver os hiatos de informação torna essa abordagem particularmente importante para o estudo do papel da Internet na busca de informação em saúde, visando descobrir como os usuários empregam esse novo veículo, as dificuldades, os desafios e incertezas que sentem e como constroem os sentidos a partir dele. Por outro lado, na medida em que o modelo pressupõe um diálogo entre a instituição e o usuário, como parceiros equivalentes, as pesquisas recomendam que as instituições de saúde reconfigurem suas estruturas e processos de fornecimento de informação.
Para Napoli, as pesquisas sugerem a existência de necessidades insatisfeitas em termos de fontes disponíveis de informação em saúde e é possível que a Internet ofereça uma coleção singular de atributos necessários para preencher essas necessidades. Para ele, no entanto, a natureza híbrida da rede de computadores torna difícil determinar se ela se aproximaria mais dos meios de massa, das fontes interpessoais formais, como médicos, de organizações de saúde ou de fontes pessoais informais (como amigos e família), em termos de avaliações como credibilidade, clareza e exatidão. Ele acha que talvez a Internet apresente características baseadas em uma combinação desses atributos, mas conhecemos relativamente pouco sobre seus pontos fracos e fortes como fonte de informações de saúde e como isso pode afetar o uso.
As pesquisas realizadas especificamente com pessoas infectadas pelo HIV, utilizando grupos de discussão, continua o autor, sugerem que a Internet funcione inicialmente mais como uma ferramenta para as pessoas procurarem informações de saúde específicas, num contexto quase interpessoal. A criação de comunidades virtuais pode oferecer um tipo de comunicação íntima e apoiadora que os provedores de serviços de saúde muitas vezes não conseguem oferecer. Ao mesmo tempo, a Internet oferece o anonimato, que não pode ser obtido em relacionamentos interpessoais reais. Para Napoli, é vital determinar se esses atributos de comunidade e anonimato são realmente motivações básicas para uso em contextos de comunicação em saúde.
Parte 4
A aplicação da Internet à saúde enfrenta algumas barreiras, num país como o Brasil. A alfabetização é a condição primeira para a própria navegação, já que a maior parte dos conteúdos e instruções são apresentados sob a forma de escrita alfabética. Isso, de antemão, exclui uma parcela de usuários potenciaais. Há também a exclusão digital: apesar do crescimento extraordinário do número de usuários da rede nos sete anos desde sua implantação, parece claro que ele se deu nas classes de maior poder aquisitivo.
Por outro lado, quando se pensa na realização de campanhas de saúde, é preciso levar em conta que a Internet pode compartilhar informações, mas os sites individualmente têm uma dificuldade relativa de se destacar na economia da informação. Os meios de comunicação convencionais (TV, rádio, cinema), por serem relativamente poucos, geralmente competem de forma mais ou menos limitada, de modo que para realizar uma campanha publicitária é suficiente programar estrategicamente alguns veículos para que haja uma probabilidade bastante alta de o anúncio ser visto/lido por uma parcela importante dos consumidores potenciais. Na Internet, como há um número astronômicos de sites, a informação acaba ficando em estado virtual, dependendo de que o usuário a solicite. Os provedores de informações, sabedores desse fato, procuram destacar-se oferecendo "portais", com diversas atrações, de modo a garantir os acessos. Mesmo assim, os acessos a um site não se comparam à audiência de um grande meio de comunicação impresso ou de radiodifusão, coisa que as rádios pela Internet experimentaram logo: atingem uma fração minúscula da audiência da transmissão por antena, das rádios comerciais.
A Internet também é, hoje, relativamente menos "visível" que os meios convencionais, que alcançam o usuário na rua (cartazes, painéis), no automóvel (rádio), nas bancas (revistas e jornais). Por isso, ela é, hoje, uma forma de disponibilizar informações, ou seja, de deixa-las em estado virtual à disposição do usuário (MACEDO, op. cit.). Para otimizar suas características é necessário divulgar o site pelos meios de massa ou dividir as tarefas da comunicação com os meios massivos. Por exemplo, a campanha pela TV difunde a mensagem básica enquanto os textos na Internet aprofundam os seus diversos aspectos. No momento, em termos de campanhas de saúde, a Internet parece ter um melhor desempenho em oferecer alternativas de especificação e individualização da informação, conforme a demanda dos usuários, do que como meio de lançamento de campanhas.
O crescente uso da Comunicação Interativa de Saúde levanta questões também sobre seu risco potencial para causar prejuízo à saúde dos usuários. Os autores dizem que é preciso estabelecer padrões elevados, em virtude do fato de que as pessoas tendem a atribuir maior credibilidade às informações de computadores do que às dos outros meios (ENG e GUSTAFSON, 1999).
Mittman e Cain (op. cit.) também relacionam como uma das dificuldades a qualidade variável da informação na Internet. Eles afirmam que as preocupações com a qualidade da informação, em certos aspectos, não é diferente em outros meios ou fontes, como conselhos de amigos e parentes, provavelmente as fontes mais comuns de informação de saúde. O que exacerba os problemas de qualidade da informação na Internet são propriedades desse meio que a popularizaram: baixo custo e facilidade de publicação, que permitem a pessoas não habilitadas divulgarem idéias; anonimato; rapidez das mudanças nos sites, dispensando, muitas vezes cuidados com a confirmação das informações. Há, também, a possibilidade de ações fraudulentas internacionais, burlando as legislações nacionais.
O estudo citado de Aspden, Katz e Bemis revela existir uma preocupação também entre os médicos com a qualidade das informações de saúde da Internet. Mas 94% da amostra concordaram com a afirmação de que os médicos deveriam aconselhar os pacientes a checarem as informações obtidas na rede com um clínico antes de as adotarem. Oitenta por cento concordam com a afirmação de que os médicos deveriam prevenir seus pacientes sobre incorreções nas informações médicas da Internet.
A questão da qualidade chamou a atenção logo no início da Internet e tem recebido a atenção de entidades de certificação, como, por exemplo a Fundação HON (Health on Net), uma ONG criada em 1995, sediada na Suíça, pioneira nesse campo, que avalia as páginas de saúde com base em um código de conduta focalizando a credibilidade, ao qual ela solicita a adesão dos sites. Os que seguirem o código podem exibir o logotipo da HON, mas a Fundação não revisa formalmente os sites. O código se desenvolve em oito pontos que reproduzimos no Quadro 2.
Outra abordagem relativa à avaliação da qualidade dos sites de saúde é a proposta pelo Health Summit Working Group (2), que representa o público em geral, fornecedores de serviços de saúde, e que realizou diversas reuniões de 1996 a 1998 com o objetivo de desenvolver e testar uma série de critérios de avaliação. Estes vão além do aspecto ético relativo ao conteúdo, envolvendo sete itens: credibilidade (que inclui a fonte e revisão editorial); conteúdo (exatidão, completude); manifestação sobre os objetivos do site; enlaces (links, avaliados conforme a seleção e conteúdo); design (navegabilidade, organização lógica) ; interatividade (mecanismos de feedback e de troca de informações entre usuários) e, por último, esclarecimento sobre seu caráter comercial ou não do site.
Quadro 2: Código de conduta da Health on the Net Foundation (HON)
1. Autoridade
Toda orientação médica ou de saúde contida no site será dada somente por profissionais treinados e qualificados, a menos que seja declarado expressamente que uma determinada orientação está sendo dada por um indivíduo ou organização não qualificado na área médica.
2. Complementaridade
A informação disponível no site foi concebida para apoiar - e não para substituir - o relacionamento existente entre pacientes ou visitantes do site e seus médicos.
3. Confidencialidade
Será respeitado o caráter confidencial dos dados dos pacientes e visitantes de um site médico ou de saúde - incluindo sua identidade pessoal. Os responsáveis pelo site se comprometem em honrar ou exceder os requisitos legais mínimos de privacidade de informação médica e de saúde vigentes no país e no estado onde se localizam o site e as cópias do site.
4. Atribuições
Quando for o caso, a informação contida no site será respaldada por referências claras às fontes consultadas, e, quando possível, tendo links HTML para estas fontes. A data em que cada página médica foi atualizada pela última vez será exibida claramente (no topo da página, por exemplo).
5. Justificativas
Quaisquer afirmações feitas sobre os benefícios e/ou desempenho de um tratamento, produto comercial ou serviço específico serão respaldadas com comprovação adequada e equilibrada, conforme indicado no Princípio 4.
6. Transparência na propriedade
Os programadores visuais do site irão procurar dispor a informação da forma mais clara possível e disponibilizar endereços de contato para os visitantes que desejem informação ou ajuda adicional. O webmaster exibirá seu endereço de e-mail claramente em todas as páginas do site.
7. Transparência do patrocínio
Os apoios dados ao site serão identificados claramente, incluindo a identidade das organizações comerciais e não-comerciais que tenham contribuído para o site com ajuda financeira, serviços ou recursos materiais.
8. Honestidade da publicidade e da política editorial
Se a publicidade é uma das fontes de renda do site, isto deverá ser indicado claramente. Os proprietários do site fornecerão uma breve descrição da política de divulgação adotada. Os anúncios e outros materiais promocionais serão apresentados aos visitantes de uma maneira e em um contexto que facilitem diferencia-los do material original produzido pela instituição gestora do site.
Fonte: http://www.hon.ch







