Portfólio virtual da jornalista Carolina Landi, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Informação, Comunicação e Saúde (PPGICS) - Turma 2010, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) - Fundação Oswaldo Cruz.
domingo, 11 de abril de 2010
Twitter e Facebook: o que eles têm a ver com sua saúde
Assim, alguns profissionais viram nas redes sociais uma ferramenta única para orientar os pacientes. Existem mais de 100 delas, em mais de vinte línguas. As mais populares, atualmente, no Brasil são: Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e LinkedIn. Só que, para auxiliar a saúde, seu uso ainda está engatinhando no Brasil.
Elizabeth Han, engenheira biomédica da Universidade de Toronto, nos Estados Unidos, vai mais longe. Em seu blog, ela sugere que as pessoas com as mesmas condições médicas “tuítem” sobre um tema usando uma tag – palavra-chave escrita usando o símbolo “#” seguido por determinadas letras. Mas para quê?
Durante a reunião de um grupo de apoio, o profissional que conduz o encontro pode debater os sentimentos postados no Twitter ao longo dos dias. Fora do horário das reuniões, as pessoas podem buscar apoio umas nas outras, usando as redes sociais. Além disso, o material postado pode fornecer dados para estudos sobre o comportamento humano.
No Canadá, dois pesquisadores publicaram um artigo científico sobre a análise dos tweets durante o surto de gripe suína, em 2009. Entre os dias 28 de abril e 11 de maio de 2009, Cynthia Mei Chew e Gunther Eysenbach, da Universidade de Toronto, Canadá, arquivaram mais de 300 mil tweets contendo as tags: “swine flu”, (gripe suína) e “H1N1”.
A análise preliminar de 400 tweets mostrou que 46% deles compartilhavam informações comuns sobre o tema, 36% citavam notícias ou links e 19% eram sobre educação pública em saúde. Somente sete casos apresentavam desinformação. Conclusão dos pesquisadores: “O serviço está sendo utilizado para distribuir notícias e informações de fontes confiáveis”.
Assim, o Twitter pode ser uma importante ferramenta para auxiliar pacientes e direcionar os profissionais da saúde. No inverno do ano passado, quando o vírus da gripe H1N1 se alastrava pelo Brasil, o Ministério da Saúde dispunha todos os dias atualizações sobre a doença no seu perfil do Twitter. Todos podiam acompanhar os dados oficiais e tirar dúvidas sobre a doença. Além disso, o Ministério também mantém um formulário de perguntas online, o Formspring, respondendo às dúvidas dos cidadãos.
O neurologista Ricardo Afonso Teixeira, que mantém o blog ConsCiência no Dia-a-Dia, no ano passado inaugurou seu perfil no Twitter. De acordo com o médico, seu objetivo na internet é “a difusão das mais recentes publicações científicas em saúde que tenham impacto direto no dia a dia das pessoas, com linguagem acessível e forte enfoque na saúde preventiva”. Ele posta no Twitter dicas relacionada às novidades na sua área. Como, por exemplo, um estudo que descobriu que o glaucoma – aumento da pressão intra-ocular – começa no cérebro e não no olho, como se imaginava.
E o que as pessoas leigas, sem vínculos com grupos e hospitais, ganham com isso? Do outro lado da tela, os parentes, amigos ou os próprios pacientes encontram informações confiáveis e um modo de tirar certas dúvidas, além do apoio de outras pessoas que sofrem com o mesmo problema. É comum os pacientes debaterem entre si sobre soluções encontradas, dicas e alternativas. Dessa forma, é possível amenizar um pouco dessa angústia. Consequentemente, muitos pacientes acabam respondendo melhor aos tratamentos.
Sabendo disso, o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) e o Hemocentro de Ribeirão Preto entraram no Facebook. O primeiro possui um grupo onde as pessoas participam com fotos e mensagens. O segundo criou um perfil próprio, onde escreve sobre suas atividades. No Orkut, são inúmeras as páginas como a Diabetes Brasil que aborda tudo sobre a doença. Nessas comunidades, todos debatem abertamente sobre o que os afligem. Por tudo isso e pelo que pode vir, é a hora dos profissionais investirem na chamada web 2.0.
Fonte: Comunidade de Saúde em Rede
Twitter – Usos na saúde pública
Phil Baumann (@philbaumann) em seu blog comentava, ainda em Janeiro passado que o twitter oferecia simplicidade de concepção funcional, velocidade de entrega e capacidade de conectar duas ou mais pessoas ao redor do mundo e seria um poderoso meio de comunicação, a ideia de compartilhamento e colaboração é um grande atrativo quando se trata de saúde pública.
Neste mesmo texto, Baumann aponta 140 usos do twitter para fins de saúde. Vamos relembrar alguns deles.
1. Recrutamento de tecidos (para rins e órgãos de outros, incluindo o sangue) – Sobre esta aplicação já escrevemos post do uso de telemóveis.
2. Pesquisa epidemiológica.
3. Alerta de desastre e resposta – Uma aplicação que efetivamente pode salvar vidas, ultimamente o país tem passado por vários situações que necessitam alertas rápidos.
4. Gestão de equipe de resposta de emergência.
5. Tratamento de suporte para pacientes e familiares.
6. Gestão de Diabetes (monitoramento de glicose no sangue).
7. Notificação de eventos adversos na prática clínica e outras funções de farmacovigilância.
8. Emissor de valores laboratoriais fundamental para enfermeiros e médicos.
9. Organizando atendimento ambulatorial.
10. Dicas de saúde diárias a partir de fontes autorizadas.
11. Parecer médico-compartilhando.
12. Micro-compartilhamento dos resultados de diagnóstico (análises de sangue, ecocardiograma, imagens radiológicas).
13. Enfermagem orientação e colaboração.
14. Angariação de fundos para os hospitais e as causas relacionadas com a saúde.
15. Últimos avanços em dispositivos biomédicos.
16. Conferências médicas.
17. Administração hospitalar.
18. Marcação de consultas com os prestadores de cuidados de saúde.
19. Monitoramento da segurança e eficácia dos produtos farmacêuticos.
20. Rastreamento de notícias HIV – @hivBR.
21. Seguindo o progresso do desenvolvimento de produtos farmacêuticos.
22. Vacinação/ locais de serviços de imunização, hora e lembretes.
23. Facilitar processos de transferência de paciente.
Fonte: http://www.plugbr.net/twitter-usos-na-saude-publica/
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A divulgação de informações médicas na internet
Trans...o quê?
Durante a minha pesquisa sobre internet e saúde na web, me deparei com esse vídeo:
A equipe do site Nós da Comunicação perguntou para vários especialistas da área o que era transdisciplinaridade. As respostas foram hilárias. Regina Migliori, presidente do Instituto Migliori e consultora em Cultura de Paz da Unesco, dá a palavra final sobre esse tão palpitante tema.
terça-feira, 6 de abril de 2010
A web 2.0 e a importância das redes organizacionais*
Parte 6
As pesquisas mostram que a Internet se tornou rapidamente a fonte mais importante de informações médicas, tanto para leigos como para profissionais. Com base nos resultados obtidos até agora, sugerimos que a utilização da Internet em campanhas de saúde possa ser otimizada adotando certas hipóteses, que relacionamos a seguir.
- O maior rendimento das campanhas de saúde advém da sinergia gerada pelo uso de diversos meios de comunicação, cada qual desempenhando um papel no processo. Nessas circunstâncias, a Internet é exponenciada pela divulgação dos sites pelos meios de massa.
- As vantagens da Internet - informação sob demanda e interatividade - têm uma contrapartida: o número de acessos aos sites é menor do que a audiência a um meio de massa, como a de um canal de TV, por exemplo. Via de regra, a Internet tem uma utilização mais personalizada em termos de preferências e essa característica precisa ser levada em conta no planejamento das campanhas. Para se destacarem em face à quantidade enorme de oferta de páginas de saúde disponível na rede, é importante que os sites ofereçam alguma exclusividade, um "plus" próprio, como por exemplo, o desenvolvimento de sites sobre temas específicos, ou o oferecimento de recursos de interatividade (como respostas a perguntas individuais).
- O crescimento da Internet no Brasil deverá se estabilizar em breve, no momento em que o mercado de classe média estiver atendido ao limite. Considerando a importância das informações de saúde para classes populares, a Internet não parece ainda adequada como veículo principal para campanhas de massa (vacinações, alertas, prevenção, vida saudável), embora seja imprescindível como subsidiária, fornecendo as referências básicas para coordenadores locais e líderes de opinião, como central virtual da organização de intervenções, para esclarecimento de dúvidas específicas, etc. O que também a recomenda, nesse aspecto é que, como meio de disponibilização ela é inexcedível hoje, viabilizando a oferta de quantidades maciças de informação, acessíveis de forma, rápida, barata e seletiva, por meio dos recursos do hipertexto.
Em vista da exclusão digital, é preciso implementar ações decisivas, por exemplo, a oferta pelo mercado de computadores populares, de arquitetura enxuta e com software aberto, cujo sistema operacional e aplicativos estariam disponíveis na rede. Financiados aos usuários e disseminados em escolas, bibliotecas, e outras agências do Estado seriam um meio para viabilizar a inserção digital. - É importante fortalecer os sistemas de certificação de qualidade dos sites de saúde, como forma de oferecer segurança do usuário sobre a qualidade das informações oferecidas.
- O usuário de Internet em saúde procura, basicamente, informações médicas, como caracterização e prognósticos de doenças e tratamentos. Ou seja, muitas vezes dizemos saúde mas estamos, a rigor, falando de medicina. As pesquisas não revelam a busca de informações sobre vida saudável, que envolve prevenção e promoção da saúde. O velho padrão curativo se repete no novíssimo meio, mas por isso mesmo é necessário investir mais nos enfoques preventivos e pró-ativos.
- Formas indiretas de utilização da Internet para viabilizar a comunicação em saúde podem ser implementadas, como a disponibilização de materiais para utilização em campanhas de saúde. Folhetos, livros, prospectos, cartazes, podem ser disponibilizados na rede para impressão por organizadores locais, em escolas, igrejas, clubes e locais de trabalho. Boletins regulares podem ser distribuídos via e-mail para jornais e rádios, agendando pautas de saúde, conforme calendários de eventos, defendendo políticas ou notícias. Essas utilizações híbridas incrementariam as vantagens relativas dos meios e ampliando seu papel na comunicação em saúde. A Internet também pode hospedar bancos de dados virtuais em português sobre saúde, comunicação e saúde pública, acervos bibliográficos para educadores, pais, assistentes sociais, enfermeiras, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais envolvidos com a promoção da saúde.
Parte 5
Napoli (in RICE e KATZ, 2001) ressalta a importância dos processos de busca de informação em saúde pelos usuários da Internet e faz inferências sobre como eles afetam o seu cuidado de saúde no contexto específico da Internet. Para ele, a compreensão do processo de recepção da informação dos usuários é essencial para a efetividade da interação entre os provedores e o público.
O autor apresenta três modelos de busca de informação: a) o modelo de sinergia; b) o modelo compreensivo de busca de informação e c) a abordagem de produção de sentido.
O modelo de sinergia apresenta as pessoas alertadas inicialmente por tópicos específicos pelos meios de massa. Cria-se a consciência do problema e os indivíduos são motivados a adotar tentativas de mudança de comportamento. Os obstáculos na realização dessa mudança de conduta preparam os indivíduos para pesquisar mais e buscar apoio. As pessoas recorrem à rede interpessoal, na qual podem obter mais especificidade e feedback imediato. Simultaneamente, consultam os meios que oferecem mais detalhe e profundidade sobre o assunto. Ou seja, o modelo de sinergia sugere que as comunicações mediadas têm diferentes funções, umas agindo para dar informação geral a grandes audiências, outras funcionando como a comunicação interpessoal, oferecendo informações mais específicas. Mas essa dicotomia não é aceita como pacífica, uma vez que muitos meios podem servir a diferentes funções. No caso da Internet, seria importante determinar a exata natureza das percepções da audiência sobre as características desse meio de comunicação, pois essas percepções provavelmente determinam o papel da rede nas etapas do modelo de sinergia.
O modelo compreensivo de busca de informação focaliza quatro fatores relacionados à saúde: demográficos, experiência direta, saliência e crenças.
Os fatores demográficos, como idade e grau de escolaridade, por exemplo, aparecem associados a diversos tipos de comportamento em relação à saúde, inclusive a busca de informação.
A experiência direta tem sido indicada como um fator significativo a afetar a busca de informação, pois indivíduos que sofrem de uma doença ou estão próximos a alguém doente são muito mais propensos a buscar informação sobre o problema do que pessoas simplesmente curiosas.
O terceiro fator, saliência, se refere ao significado pessoal da informação sobre saúde para uma pessoa e está relacionado ao grau de ameaça à saúde percebida sentida por essa pessoa.
O quarto fator que afeta a busca de informação de saúde são as crenças, ou seja a percepção que as pessoas têm do controle do futuro ou dos métodos efetivos de prevenção e controle.
Esses fatores de informação se organizam em duas grandes categorias a) características dos portadores de informação e b) utilidade. As características dos portadores de informação investigadas incluem tom editorial, compreensibilidade, potencial de comunicação, as quais oferecem um ponto de partida para o estudo da Internet. As vantagens da rede mencionadas por usuários foram: não precisar incomodar seu médico, desejo de uma resposta rápida, o fato de as pessoas não compreenderem as respostas dos médicos ou ficarem muito constrangidas de perguntar pessoalmente a um médico, o alto valor dado pelas pessoas para a informação da Internet, por ser talhada para as preocupações particulares. Ou seja, anonimato, interatividade, oportunidade (timeliness) e clareza são critérios avaliativos importantes para o uso da Internet na informação de saúde.
A segunda categoria citada, utilidade, se refere a se a informação da fonte é importante e relevante para as necessidades específicas da pessoa.
A abordagem de construção de sentido difere das anteriores ao enfatizar que a informação é socialmente construída, ou seja é criada pelos observadores, dos quais nunca pode ser separada. Assim, a comunicação da informação deve ser conceptualizada não em termos de transmissão de informação de um emissor para um receptor, mas, antes, em termos de um diálogo entre ambas as partes, com a instituição (o provedor de informação) e a audiência concebidas como parceiras semelhantes. O sentido construído pelas pessoas a partir das mensagens dos meios não se limita ao que as fontes pretendem, mas é sempre enriquecido pelo que as pessoas criam. Essa abordagem focaliza tipicamente como os indivíduos tratam os hiatos de informação ou descontinuidades de seu conhecimento. O foco na maneira como as pessoas tentam resolver os hiatos de informação torna essa abordagem particularmente importante para o estudo do papel da Internet na busca de informação em saúde, visando descobrir como os usuários empregam esse novo veículo, as dificuldades, os desafios e incertezas que sentem e como constroem os sentidos a partir dele. Por outro lado, na medida em que o modelo pressupõe um diálogo entre a instituição e o usuário, como parceiros equivalentes, as pesquisas recomendam que as instituições de saúde reconfigurem suas estruturas e processos de fornecimento de informação.
Para Napoli, as pesquisas sugerem a existência de necessidades insatisfeitas em termos de fontes disponíveis de informação em saúde e é possível que a Internet ofereça uma coleção singular de atributos necessários para preencher essas necessidades. Para ele, no entanto, a natureza híbrida da rede de computadores torna difícil determinar se ela se aproximaria mais dos meios de massa, das fontes interpessoais formais, como médicos, de organizações de saúde ou de fontes pessoais informais (como amigos e família), em termos de avaliações como credibilidade, clareza e exatidão. Ele acha que talvez a Internet apresente características baseadas em uma combinação desses atributos, mas conhecemos relativamente pouco sobre seus pontos fracos e fortes como fonte de informações de saúde e como isso pode afetar o uso.
As pesquisas realizadas especificamente com pessoas infectadas pelo HIV, utilizando grupos de discussão, continua o autor, sugerem que a Internet funcione inicialmente mais como uma ferramenta para as pessoas procurarem informações de saúde específicas, num contexto quase interpessoal. A criação de comunidades virtuais pode oferecer um tipo de comunicação íntima e apoiadora que os provedores de serviços de saúde muitas vezes não conseguem oferecer. Ao mesmo tempo, a Internet oferece o anonimato, que não pode ser obtido em relacionamentos interpessoais reais. Para Napoli, é vital determinar se esses atributos de comunidade e anonimato são realmente motivações básicas para uso em contextos de comunicação em saúde.
Parte 4
A aplicação da Internet à saúde enfrenta algumas barreiras, num país como o Brasil. A alfabetização é a condição primeira para a própria navegação, já que a maior parte dos conteúdos e instruções são apresentados sob a forma de escrita alfabética. Isso, de antemão, exclui uma parcela de usuários potenciaais. Há também a exclusão digital: apesar do crescimento extraordinário do número de usuários da rede nos sete anos desde sua implantação, parece claro que ele se deu nas classes de maior poder aquisitivo.
Por outro lado, quando se pensa na realização de campanhas de saúde, é preciso levar em conta que a Internet pode compartilhar informações, mas os sites individualmente têm uma dificuldade relativa de se destacar na economia da informação. Os meios de comunicação convencionais (TV, rádio, cinema), por serem relativamente poucos, geralmente competem de forma mais ou menos limitada, de modo que para realizar uma campanha publicitária é suficiente programar estrategicamente alguns veículos para que haja uma probabilidade bastante alta de o anúncio ser visto/lido por uma parcela importante dos consumidores potenciais. Na Internet, como há um número astronômicos de sites, a informação acaba ficando em estado virtual, dependendo de que o usuário a solicite. Os provedores de informações, sabedores desse fato, procuram destacar-se oferecendo "portais", com diversas atrações, de modo a garantir os acessos. Mesmo assim, os acessos a um site não se comparam à audiência de um grande meio de comunicação impresso ou de radiodifusão, coisa que as rádios pela Internet experimentaram logo: atingem uma fração minúscula da audiência da transmissão por antena, das rádios comerciais.
A Internet também é, hoje, relativamente menos "visível" que os meios convencionais, que alcançam o usuário na rua (cartazes, painéis), no automóvel (rádio), nas bancas (revistas e jornais). Por isso, ela é, hoje, uma forma de disponibilizar informações, ou seja, de deixa-las em estado virtual à disposição do usuário (MACEDO, op. cit.). Para otimizar suas características é necessário divulgar o site pelos meios de massa ou dividir as tarefas da comunicação com os meios massivos. Por exemplo, a campanha pela TV difunde a mensagem básica enquanto os textos na Internet aprofundam os seus diversos aspectos. No momento, em termos de campanhas de saúde, a Internet parece ter um melhor desempenho em oferecer alternativas de especificação e individualização da informação, conforme a demanda dos usuários, do que como meio de lançamento de campanhas.
O crescente uso da Comunicação Interativa de Saúde levanta questões também sobre seu risco potencial para causar prejuízo à saúde dos usuários. Os autores dizem que é preciso estabelecer padrões elevados, em virtude do fato de que as pessoas tendem a atribuir maior credibilidade às informações de computadores do que às dos outros meios (ENG e GUSTAFSON, 1999).
Mittman e Cain (op. cit.) também relacionam como uma das dificuldades a qualidade variável da informação na Internet. Eles afirmam que as preocupações com a qualidade da informação, em certos aspectos, não é diferente em outros meios ou fontes, como conselhos de amigos e parentes, provavelmente as fontes mais comuns de informação de saúde. O que exacerba os problemas de qualidade da informação na Internet são propriedades desse meio que a popularizaram: baixo custo e facilidade de publicação, que permitem a pessoas não habilitadas divulgarem idéias; anonimato; rapidez das mudanças nos sites, dispensando, muitas vezes cuidados com a confirmação das informações. Há, também, a possibilidade de ações fraudulentas internacionais, burlando as legislações nacionais.
O estudo citado de Aspden, Katz e Bemis revela existir uma preocupação também entre os médicos com a qualidade das informações de saúde da Internet. Mas 94% da amostra concordaram com a afirmação de que os médicos deveriam aconselhar os pacientes a checarem as informações obtidas na rede com um clínico antes de as adotarem. Oitenta por cento concordam com a afirmação de que os médicos deveriam prevenir seus pacientes sobre incorreções nas informações médicas da Internet.
A questão da qualidade chamou a atenção logo no início da Internet e tem recebido a atenção de entidades de certificação, como, por exemplo a Fundação HON (Health on Net), uma ONG criada em 1995, sediada na Suíça, pioneira nesse campo, que avalia as páginas de saúde com base em um código de conduta focalizando a credibilidade, ao qual ela solicita a adesão dos sites. Os que seguirem o código podem exibir o logotipo da HON, mas a Fundação não revisa formalmente os sites. O código se desenvolve em oito pontos que reproduzimos no Quadro 2.
Outra abordagem relativa à avaliação da qualidade dos sites de saúde é a proposta pelo Health Summit Working Group (2), que representa o público em geral, fornecedores de serviços de saúde, e que realizou diversas reuniões de 1996 a 1998 com o objetivo de desenvolver e testar uma série de critérios de avaliação. Estes vão além do aspecto ético relativo ao conteúdo, envolvendo sete itens: credibilidade (que inclui a fonte e revisão editorial); conteúdo (exatidão, completude); manifestação sobre os objetivos do site; enlaces (links, avaliados conforme a seleção e conteúdo); design (navegabilidade, organização lógica) ; interatividade (mecanismos de feedback e de troca de informações entre usuários) e, por último, esclarecimento sobre seu caráter comercial ou não do site.
Quadro 2: Código de conduta da Health on the Net Foundation (HON)
1. Autoridade
Toda orientação médica ou de saúde contida no site será dada somente por profissionais treinados e qualificados, a menos que seja declarado expressamente que uma determinada orientação está sendo dada por um indivíduo ou organização não qualificado na área médica.
2. Complementaridade
A informação disponível no site foi concebida para apoiar - e não para substituir - o relacionamento existente entre pacientes ou visitantes do site e seus médicos.
3. Confidencialidade
Será respeitado o caráter confidencial dos dados dos pacientes e visitantes de um site médico ou de saúde - incluindo sua identidade pessoal. Os responsáveis pelo site se comprometem em honrar ou exceder os requisitos legais mínimos de privacidade de informação médica e de saúde vigentes no país e no estado onde se localizam o site e as cópias do site.
4. Atribuições
Quando for o caso, a informação contida no site será respaldada por referências claras às fontes consultadas, e, quando possível, tendo links HTML para estas fontes. A data em que cada página médica foi atualizada pela última vez será exibida claramente (no topo da página, por exemplo).
5. Justificativas
Quaisquer afirmações feitas sobre os benefícios e/ou desempenho de um tratamento, produto comercial ou serviço específico serão respaldadas com comprovação adequada e equilibrada, conforme indicado no Princípio 4.
6. Transparência na propriedade
Os programadores visuais do site irão procurar dispor a informação da forma mais clara possível e disponibilizar endereços de contato para os visitantes que desejem informação ou ajuda adicional. O webmaster exibirá seu endereço de e-mail claramente em todas as páginas do site.
7. Transparência do patrocínio
Os apoios dados ao site serão identificados claramente, incluindo a identidade das organizações comerciais e não-comerciais que tenham contribuído para o site com ajuda financeira, serviços ou recursos materiais.
8. Honestidade da publicidade e da política editorial
Se a publicidade é uma das fontes de renda do site, isto deverá ser indicado claramente. Os proprietários do site fornecerão uma breve descrição da política de divulgação adotada. Os anúncios e outros materiais promocionais serão apresentados aos visitantes de uma maneira e em um contexto que facilitem diferencia-los do material original produzido pela instituição gestora do site.
Fonte: http://www.hon.ch
Parte 3
POSSIBILIDADES DA COMUNICAÇÃO EM SAÚDE NA INTERNET
A Internet se tornou um veículo tanto de ações do governo, como de ONGs, de profissionais de saúde, de voluntários e de empresas, originando o complexo denominado abreviadamente e-health, ou e-saúde (para eletrônica), o termo mais amplo para se referir ao amplo espectro de atividades usando tecnologias em saúde, cuidados de saúde e saúde pública. Baur, Deering e Hsu (in ASPDEN e KATZ, 2001) popõem o seguinte quadro dessas atividades. 
Comunicação Interativa em Saúde - CIS - é o termo proposto por Eng e Gustafson (1999) para se referir à "interação de um indivíduo com ou por meio de um dispositivo eletrônico ou tecnologia de comunicação para acessar ou transmitir informação de saúde ou receber ou prover orientação e apoio sobre um assunto relativo à saúde" (1). Assim, a busca de informação em saúde na Internet, a participação em bate papos virtuais e de grupos de apoio, o envio e-mails para provedores de serviços de saúde são formas de comunicação interativa em saúde. A CIS pode cumprir seis funções específicas, segundo os autores: comunicar informação individualizada; habilitar a tomada de decisão informada; promover comportamentos saudáveis; viabilizar a troca de experiências e apoio mútuo; promover o auto-cuidado; gerenciar a demanda por serviços de saúde.
Para os autores, a comunicação interativa em saúde significa uma série de benefícios para os usuários. Ela aumenta as oportunidades para levantar informações talhadas para necessidades específicas ou características de indivíduos ou grupos de usuários. Melhora as capabilidades de vários meios, combinando texto, áudio, imagens, a fim de encontrar formas específicas a propósitos determinados ou aos gostos dos usuários. Permite aos usuários permanecerem anônimos ao obterem informações, enquanto as pessoas poderiam se sentir desconfortáveis, numa situação pública ou numa discussão face a face. Ela aumenta a disposição dos participantes em discutir sobre saúde, riscos comportamentais, medos e incertezas e amplia o acesso à informação e o apoio solicitado, porque os recursos podem ser usados de forma mais versátil. A CIS aumenta a oportunidade de os usuários interagirem com profissionais de saúde ou encontrar apoio de outros em situação semelhante, através de e-mail. Finalmente, a comunicação interativa em saúde aumenta a capacidade de disseminação das informações e sua audiência é crescente, com pequeno custo, desde que a infraestrutura esteja implantada.
Mittman e Cain (in RICE, 2001) indicam algumas características da Internet que a tornam particularmente propícia para atender às necessidades dos usuários e organizações de cuidados de saúde:
1 - Baixo custo. Para os autores, o custo mensal dos serviços de provimento da Internet, bem como o custo do computador são pequenos e os usuários ainda podem contar com o acesso cada vez mais comum em bibliotecas e escolas, além do local de trabalho. No entanto, no Brasil, o custo da Internet, pelo contrário, pode representar uma barreira. Apesar de que na classe média a inserção na rede se torna cada vez mais comum, a exclusão digital é um dado importante no Brasil, onde a Internet provavelmente continuará distante das massas por algum tempo. Se tomarmos o custo do ponto de vista dos provedores de informações e de websites, então realmente se aplica a característica: é muito mais econômico criar, manter e hospedar uma página virtual do que fazer uma publicação em papel, por exemplo ou comprar um horário em um veículo de radiodifusão. É esse fato, aliás, que pode explicar o surgimento de um tão grande número de sites de saúde em tão pouco tempo.
2 - Facilidade de uso. Os programas de navegação, seguindo a tendência dos programas pós-Mac e Windows, são intuitivos e não exigem qualquer conhecimento técnico, tornando a navegação e a busca atividades prazerosas porque dão a sensação de domínio: com uma pressão no mouseobtém-se um acesso, às vezes imediato.
3 - Democratização. Antes da Internet, somente grandes instituições tinham condições de disseminar seu ponto de vista, o que agora está acessível a qualquer pessoa, empresa ou grupo de interessados. O resultado, do ponto de vista do usuário, é uma variedade enorme de perspectivas sobre assuntos de saúde. Qualquer pessoa, mesmo um adolescente, pode desenvolver uma página e hospedá-la em um provedor gratuito, aumentando as oportunidades do protagonismo na área da saúde.
4 - Longa distância. O fornecimento de serviços de saúde é inerentemente um fenômeno local, enquanto a Internet é essencialmente um fenômeno global. Isso significa que é possível obter informação médica, aconselhamento de fontes em qualquer local do planeta, contribuindo para a diversidade da informação disponível.
5 - Funcionalidade crescente. A Internet ganha cada vez mais sofisticação e funcionalidade e novos recursos provêm um rol mais rico de capacidades para realizar interfaces e para integração de sistemas de informação de saúde.
A Internet é um meio de comunicação absolutamente singular e extremamente poderoso em comparação com os meios convencionais. É redundante lembrar que ela já é, hoje, um veículo com recursos para gerar interesse visual, pelo uso da cor, da variedade de fontes, fotos, grafismos, movimento (filmes e animações), num ambiente sonoro e interativo. São condições propícias ao planejamento e produção de mensagens atraentes, com fortes atrativos gráficos.
Ao lado desses aspectos formais, é importante destacar a capacidade da Internet de oferecimento quantidades maciças de informação escrita, distribuída ou não em partes, por meio dos enlaces de hipertexto. De folhetos a livros inteiros podem ser baixados em segundos, copiados eletronicamente ou impressos pelo usuário. Trata-se de uma capacidade única que torna a web a novíssima estrela na pesquisa acadêmica. Na verdade, essa qualidade faz da Internet uma inexcedível biblioteca virtual global, que se atualiza diariamente.
Albuquerque (2002), após um exame comparativo das propriedades dos meios de comunicação de massa em comparação com a Internet conclui:
... o estudo da comunicação mediada pelo computador não pode ser satisfeito pela concepção de "meio de comunicação" que foi consagrada pelo modelo E-M-R (meio como intermediário de um processo de transmissão de mensagens). Ao invés disso, é necessário fazer apelo a uma outra concepção, na qual o meio de comunicação é entendido como um meio ambiente complexo a ser explorado pelos seus usuários. O que está em questão aí não são apenas as mensagens veiculadas através dos meios, ou o modo como elas produzem ou expressam relações (inerentes ou transcendentes ao processo de comunicação) entre emissores ou receptores mas, em grande medida, as relações que tais agentes estabelecem entre si através das tecnologias da comunicação por eles empregadas.
Na mesma perspectiva, a peculiaridade que vemos na Internet como meio de comunicação diz respeito à sua configuração em teia (web), ligando virtualmente todos os pontos entre si, sendo cada ponto potencialmente uma fonte e um usuário. Os meios de comunicação convencionais fazem ou a distribuição da informação (caso de jornais, revistas, cinema, TV a cabo) ou a sua difusão (TV e rádio). Em decorrência da sua configuração em teia, a Internet instaurou um meio único de compartilhamento de informações, ou seja, o acervo da rede é construído coletivamente por milhões de colaboradores, pessoas e organizações, que, em princípio, estão em pé de igualdade na sua colaboração. Essa abertura para as contribuições individuais é que confere à rede a sua riqueza inexcedível, a incrível variedade de formas e conteúdos e sua permanente renovação.