quarta-feira, 7 de abril de 2010

Relacionamento com as fontes das áreas de ciência e saúde

A divulgação de informações médicas na internet

Por Alicia Ivanissevich, Editora-executiva da Revista Ciência Hoje.

Trans...o quê?

Transdisciplinaridade. Diria que essa foi a palavra que mais tenho escutado desde que as aulas do Mestrado começaram, há exatamente um mês - contando com a disciplina Saúde e Sociedade, que "puxei" do Instituto de Medicina Social (IMS), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde trabalho desde 2007. No ICICT, Estellita-Lins dedicou uma aula inteira ao tema.

Durante a minha pesquisa sobre internet e saúde na web, me deparei com esse vídeo:



A equipe do site Nós da Comunicação perguntou para vários especialistas da área o que era transdisciplinaridade. As respostas foram hilárias. Regina Migliori, presidente do Instituto Migliori e consultora em Cultura de Paz da Unesco, dá a palavra final sobre esse tão palpitante tema.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A web 2.0 e a importância das redes organizacionais*

O advento das ferramentas Web 2.0 - como os blogs, wikis, fóruns e redes sociais - reforça a transferência do foco da gestão da comunicação empresarial por canais e meios de comunicação para a Gestão Relacional, baseada no conceito de rede participativa e descentralizada.

Segundo pesquisa publicada, em 2008, pelo IBOPE, o Brasil apresenta uma das maiores taxas de utilização da web 2.0, sendo o líder no ranking mundial no que refere a comunidades online, espaços onde cada vez mais se compartilham experiências de consumo - dos mais de 40 milhões de usuários regulares da internet no Brasil, 64% participam de redes sociais e 13% criam ou atualizam blogs. De olho neste novo mercado e fonte de conhecimento, as organizações começaram a monitorar a web 2.0 obtendo valiosos insights para pesquisa de mercado, enquanto que nos últimos dois anos, os blogs e wikis já começaram a compor as estratégias de comunicação corporativa.

No entanto, seja como termômetro da imagem percebida da marca como na criação de canais colaborativos de comunicação com os stakeholders (pessoas que de alguma maneira interagem com a marca), as ferramentas Web 2.0 proporcionam novas oportunidades tanto de ganho quanto de perda de valor. Se considerarmos que, em média, um cliente insatisfeito comenta sua experiência negativa com até cinco pessoas, em tempos de comunicação 2.0, para quantas pessoas é possível compartilhar uma experiência, seja ela negativa ou positiva?

Sob este poderoso efeito multiplicador, que caracteriza o stakeholder atual, além de uma nova dinâmica, é primordial o estabelecimento de vínculos cooperativos baseados em confiança e reciprocidade, no qual a transparência e a autenticidade na comunicação são atributos mandatórios.

"Por mais que a troca de informações com os diversos stakeholders e o tom mais humano de blogs, fóruns e wikis corporativas tenham o potencial de gerar uma contribuição positiva na percepção de valor e diferenciação de uma marca, a essência deste processo deve partir de dentro para fora da organização, com o desenvolvimento de redes sociais internas coesas e orgânicas. Do contrário, as contradições são rapidamente percebidas criando o efeito inverso", afirma o antropólogo organizacional Ignacio García, sócio fundador da Tree Branding, empresa de consultoria que integra Branding com Desenvolvimento Organizacional.

É primordial perguntar primeiro pela saúde das redes internas de comunicação, para então avançar em novas frentes. Em outras palavras é preciso desenvolver o Capital Social Corporativo, ou seja, conhecer e aprimorar as redes de confiança e reciprocidade, em um processo que parte de dentro da organização.

Com este intuito, a consultoria Tree Branding propõe como primeiro passo para tornar as redes organizacionais mais coesas e interconectadas a Análise das Redes Organizacionais - do acrônimo em inglês ONA.

Através de ONA é possível visualizar as estruturas de relações entre indivíduos, grupos, departamentos, chegando até os stakeholders; desvendando as influentes redes da comunicação informal (subjacentes ao organograma formal).

A potencialidade desta metodologia, realizada por uma equipe de antropólogos organizacionais e especialistas em branding, mapeia dimensões estratégicas tais como: fluxo de troca de informações, confiança e aconselhamento, inovação e aprimoramento de processos de trabalho, motivação e energia, compartilhamento de valores e do conhecimento do cliente.

Fazer o "dever de casa", antes de lançar-se no emaranhado da comunicação 2.0, significa compreender e desenvolver as redes sociais de trabalho internas, o que representa um passo fundamental no sentido de preparar as organizações para a comunicação cada vez mais participativa e descentralizada.

* Por Ignacio García

Parte 6

A INTERNET EM CAMPANHAS DE SAÚDE

As pesquisas mostram que a Internet se tornou rapidamente a fonte mais importante de informações médicas, tanto para leigos como para profissionais. Com base nos resultados obtidos até agora, sugerimos que a utilização da Internet em campanhas de saúde possa ser otimizada adotando certas hipóteses, que relacionamos a seguir.
  1. O maior rendimento das campanhas de saúde advém da sinergia gerada pelo uso de diversos meios de comunicação, cada qual desempenhando um papel no processo. Nessas circunstâncias, a Internet é exponenciada pela divulgação dos sites pelos meios de massa.

  2. As vantagens da Internet - informação sob demanda e interatividade - têm uma contrapartida: o número de acessos aos sites é menor do que a audiência a um meio de massa, como a de um canal de TV, por exemplo. Via de regra, a Internet tem uma utilização mais personalizada em termos de preferências e essa característica precisa ser levada em conta no planejamento das campanhas. Para se destacarem em face à quantidade enorme de oferta de páginas de saúde disponível na rede, é importante que os sites ofereçam alguma exclusividade, um "plus" próprio, como por exemplo, o desenvolvimento de sites sobre temas específicos, ou o oferecimento de recursos de interatividade (como respostas a perguntas individuais).

  3. O crescimento da Internet no Brasil deverá se estabilizar em breve, no momento em que o mercado de classe média estiver atendido ao limite. Considerando a importância das informações de saúde para classes populares, a Internet não parece ainda adequada como veículo principal para campanhas de massa (vacinações, alertas, prevenção, vida saudável), embora seja imprescindível como subsidiária, fornecendo as referências básicas para coordenadores locais e líderes de opinião, como central virtual da organização de intervenções, para esclarecimento de dúvidas específicas, etc. O que também a recomenda, nesse aspecto é que, como meio de disponibilização ela é inexcedível hoje, viabilizando a oferta de quantidades maciças de informação, acessíveis de forma, rápida, barata e seletiva, por meio dos recursos do hipertexto.
    Em vista da exclusão digital, é preciso implementar ações decisivas, por exemplo, a oferta pelo mercado de computadores populares, de arquitetura enxuta e com
    software aberto, cujo sistema operacional e aplicativos estariam disponíveis na rede. Financiados aos usuários e disseminados em escolas, bibliotecas, e outras agências do Estado seriam um meio para viabilizar a inserção digital.

  4. É importante fortalecer os sistemas de certificação de qualidade dos sites de saúde, como forma de oferecer segurança do usuário sobre a qualidade das informações oferecidas.

  5. O usuário de Internet em saúde procura, basicamente, informações médicas, como caracterização e prognósticos de doenças e tratamentos. Ou seja, muitas vezes dizemos saúde mas estamos, a rigor, falando de medicina. As pesquisas não revelam a busca de informações sobre vida saudável, que envolve prevenção e promoção da saúde. O velho padrão curativo se repete no novíssimo meio, mas por isso mesmo é necessário investir mais nos enfoques preventivos e pró-ativos.

  6. Formas indiretas de utilização da Internet para viabilizar a comunicação em saúde podem ser implementadas, como a disponibilização de materiais para utilização em campanhas de saúde. Folhetos, livros, prospectos, cartazes, podem ser disponibilizados na rede para impressão por organizadores locais, em escolas, igrejas, clubes e locais de trabalho. Boletins regulares podem ser distribuídos via e-mail para jornais e rádios, agendando pautas de saúde, conforme calendários de eventos, defendendo políticas ou notícias. Essas utilizações híbridas incrementariam as vantagens relativas dos meios e ampliando seu papel na comunicação em saúde. A Internet também pode hospedar bancos de dados virtuais em português sobre saúde, comunicação e saúde pública, acervos bibliográficos para educadores, pais, assistentes sociais, enfermeiras, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais envolvidos com a promoção da saúde.
Concluindo, observamos a necessidade da realização de estudos junto aos usuários de Internet a fim de atualizar nosso conhecimento sobre eles e suas expectativas, interesses, processos de busca e papel da Internet na informação em saúde. É importante também verificar se já se desenha uma tendência para as buscas de informação em saúde se darem em sites preferenciais, ou "campeões de acessos", que tenderiam a se tornarem referências em termos das informações sobre temas de saúde e medicina para leigos. Um estudo como esse possibilitaria identificar as características que conduziram esses sites a uma posição de destaque na preferência dos internautas e, por conseguinte, quais são as características mais valorizadas pelos mesmos.


Soares, Murilo Cesar, 2004, Internet e saúde: possibilidades e limitações, Revista TEXTOS de la CiberSociedad, 4. Temática Variada. Disponible en http://www.cibersociedad.net

Parte 5

PROCESSOS DE BUSCA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE E INTERNET

Napoli (in RICE e KATZ, 2001) ressalta a importância dos processos de busca de informação em saúde pelos usuários da Internet e faz inferências sobre como eles afetam o seu cuidado de saúde no contexto específico da Internet. Para ele, a compreensão do processo de recepção da informação dos usuários é essencial para a efetividade da interação entre os provedores e o público.

O autor apresenta três modelos de busca de informação: a) o modelo de sinergia; b) o modelo compreensivo de busca de informação e c) a abordagem de produção de sentido.

O modelo de sinergia apresenta as pessoas alertadas inicialmente por tópicos específicos pelos meios de massa. Cria-se a consciência do problema e os indivíduos são motivados a adotar tentativas de mudança de comportamento. Os obstáculos na realização dessa mudança de conduta preparam os indivíduos para pesquisar mais e buscar apoio. As pessoas recorrem à rede interpessoal, na qual podem obter mais especificidade e
feedback imediato. Simultaneamente, consultam os meios que oferecem mais detalhe e profundidade sobre o assunto. Ou seja, o modelo de sinergia sugere que as comunicações mediadas têm diferentes funções, umas agindo para dar informação geral a grandes audiências, outras funcionando como a comunicação interpessoal, oferecendo informações mais específicas. Mas essa dicotomia não é aceita como pacífica, uma vez que muitos meios podem servir a diferentes funções. No caso da Internet, seria importante determinar a exata natureza das percepções da audiência sobre as características desse meio de comunicação, pois essas percepções provavelmente determinam o papel da rede nas etapas do modelo de sinergia.

O modelo compreensivo de busca de informação focaliza quatro fatores relacionados à saúde: demográficos, experiência direta, saliência e crenças.

Os fatores demográficos, como idade e grau de escolaridade, por exemplo, aparecem associados a diversos tipos de comportamento em relação à saúde, inclusive a busca de informação.

A experiência direta tem sido indicada como um fator significativo a afetar a busca de informação, pois indivíduos que sofrem de uma doença ou estão próximos a alguém doente são muito mais propensos a buscar informação sobre o problema do que pessoas simplesmente curiosas.

O terceiro fator, saliência, se refere ao significado pessoal da informação sobre saúde para uma pessoa e está relacionado ao grau de ameaça à saúde percebida sentida por essa pessoa.

O quarto fator que afeta a busca de informação de saúde são as crenças, ou seja a percepção que as pessoas têm do controle do futuro ou dos métodos efetivos de prevenção e controle.

Esses fatores de informação se organizam em duas grandes categorias a) características dos portadores de informação e b) utilidade. As características dos portadores de informação investigadas incluem tom editorial, compreensibilidade, potencial de comunicação, as quais oferecem um ponto de partida para o estudo da Internet. As vantagens da rede mencionadas por usuários foram: não precisar incomodar seu médico, desejo de uma resposta rápida, o fato de as pessoas não compreenderem as respostas dos médicos ou ficarem muito constrangidas de perguntar pessoalmente a um médico, o alto valor dado pelas pessoas para a informação da Internet, por ser talhada para as preocupações particulares. Ou seja, anonimato, interatividade, oportunidade (
timeliness) e clareza são critérios avaliativos importantes para o uso da Internet na informação de saúde.

A segunda categoria citada, utilidade, se refere a se a informação da fonte é importante e relevante para as necessidades específicas da pessoa.

A abordagem de construção de sentido difere das anteriores ao enfatizar que a informação é socialmente construída, ou seja é criada pelos observadores, dos quais nunca pode ser separada. Assim, a comunicação da informação deve ser conceptualizada não em termos de transmissão de informação de um emissor para um receptor, mas, antes, em termos de um diálogo entre ambas as partes, com a instituição (o provedor de informação) e a audiência concebidas como parceiras semelhantes. O sentido construído pelas pessoas a partir das mensagens dos meios não se limita ao que as fontes pretendem, mas é sempre enriquecido pelo que as pessoas criam. Essa abordagem focaliza tipicamente como os indivíduos tratam os hiatos de informação ou descontinuidades de seu conhecimento. O foco na maneira como as pessoas tentam resolver os hiatos de informação torna essa abordagem particularmente importante para o estudo do papel da Internet na busca de informação em saúde, visando descobrir como os usuários empregam esse novo veículo, as dificuldades, os desafios e incertezas que sentem e como constroem os sentidos a partir dele. Por outro lado, na medida em que o modelo pressupõe um diálogo entre a instituição e o usuário, como parceiros equivalentes, as pesquisas recomendam que as instituições de saúde reconfigurem suas estruturas e processos de fornecimento de informação.

Para Napoli, as pesquisas sugerem a existência de necessidades insatisfeitas em termos de fontes disponíveis de informação em saúde e é possível que a Internet ofereça uma coleção singular de atributos necessários para preencher essas necessidades. Para ele, no entanto, a natureza híbrida da rede de computadores torna difícil determinar se ela se aproximaria mais dos meios de massa, das fontes interpessoais formais, como médicos, de organizações de saúde ou de fontes pessoais informais (como amigos e família), em termos de avaliações como credibilidade, clareza e exatidão. Ele acha que talvez a Internet apresente características baseadas em uma combinação desses atributos, mas conhecemos relativamente pouco sobre seus pontos fracos e fortes como fonte de informações de saúde e como isso pode afetar o uso.

As pesquisas realizadas especificamente com pessoas infectadas pelo HIV, utilizando grupos de discussão, continua o autor, sugerem que a Internet funcione inicialmente mais como uma ferramenta para as pessoas procurarem informações de saúde específicas, num contexto quase interpessoal. A criação de comunidades virtuais pode oferecer um tipo de comunicação íntima e apoiadora que os provedores de serviços de saúde muitas vezes não conseguem oferecer. Ao mesmo tempo, a Internet oferece o anonimato, que não pode ser obtido em relacionamentos interpessoais reais. Para Napoli, é vital determinar se esses atributos de comunidade e anonimato são realmente motivações básicas para uso em contextos de comunicação em saúde.

Parte 4

LIMITAÇÕES DA COMUNICAÇÃO EM SAÚDE PELA INTERNET

A aplicação da Internet à saúde enfrenta algumas barreiras, num país como o Brasil. A alfabetização é a condição primeira para a própria navegação, já que a maior parte dos conteúdos e instruções são apresentados sob a forma de escrita alfabética. Isso, de antemão, exclui uma parcela de usuários potenciaais. Há também a exclusão digital: apesar do crescimento extraordinário do número de usuários da rede nos sete anos desde sua implantação, parece claro que ele se deu nas classes de maior poder aquisitivo.

Por outro lado, quando se pensa na realização de campanhas de saúde, é preciso levar em conta que a Internet pode compartilhar informações, mas os
sites individualmente têm uma dificuldade relativa de se destacar na economia da informação. Os meios de comunicação convencionais (TV, rádio, cinema), por serem relativamente poucos, geralmente competem de forma mais ou menos limitada, de modo que para realizar uma campanha publicitária é suficiente programar estrategicamente alguns veículos para que haja uma probabilidade bastante alta de o anúncio ser visto/lido por uma parcela importante dos consumidores potenciais. Na Internet, como há um número astronômicos de sites, a informação acaba ficando em estado virtual, dependendo de que o usuário a solicite. Os provedores de informações, sabedores desse fato, procuram destacar-se oferecendo "portais", com diversas atrações, de modo a garantir os acessos. Mesmo assim, os acessos a um site não se comparam à audiência de um grande meio de comunicação impresso ou de radiodifusão, coisa que as rádios pela Internet experimentaram logo: atingem uma fração minúscula da audiência da transmissão por antena, das rádios comerciais.

A Internet também é, hoje, relativamente menos "visível" que os meios convencionais, que alcançam o usuário na rua (cartazes, painéis), no automóvel (rádio), nas bancas (revistas e jornais). Por isso, ela é, hoje, uma forma de
disponibilizar informações, ou seja, de deixa-las em estado virtual à disposição do usuário (MACEDO, op. cit.). Para otimizar suas características é necessário divulgar o site pelos meios de massa ou dividir as tarefas da comunicação com os meios massivos. Por exemplo, a campanha pela TV difunde a mensagem básica enquanto os textos na Internet aprofundam os seus diversos aspectos. No momento, em termos de campanhas de saúde, a Internet parece ter um melhor desempenho em oferecer alternativas de especificação e individualização da informação, conforme a demanda dos usuários, do que como meio de lançamento de campanhas.

O crescente uso da Comunicação Interativa de Saúde levanta questões também sobre seu risco potencial para causar prejuízo à saúde dos usuários. Os autores dizem que é preciso estabelecer padrões elevados, em virtude do fato de que as pessoas tendem a atribuir maior credibilidade às informações de computadores do que às dos outros meios (ENG e GUSTAFSON, 1999).

Mittman e Cain (op. cit.) também relacionam como uma das dificuldades a qualidade variável da informação na Internet. Eles afirmam que as preocupações com a qualidade da informação, em certos aspectos, não é diferente em outros meios ou fontes, como conselhos de amigos e parentes, provavelmente as fontes mais comuns de informação de saúde. O que exacerba os problemas de qualidade da informação na Internet são propriedades desse meio que a popularizaram: baixo custo e facilidade de publicação, que permitem a pessoas não habilitadas divulgarem idéias; anonimato; rapidez das mudanças nos sites, dispensando, muitas vezes cuidados com a confirmação das informações. Há, também, a possibilidade de ações fraudulentas internacionais, burlando as legislações nacionais.

O estudo citado de Aspden, Katz e Bemis revela existir uma preocupação também entre os médicos com a qualidade das informações de saúde da Internet. Mas 94% da amostra concordaram com a afirmação de que os médicos deveriam aconselhar os pacientes a checarem as informações obtidas na rede com um clínico antes de as adotarem. Oitenta por cento concordam com a afirmação de que os médicos deveriam prevenir seus pacientes sobre incorreções nas informações médicas da Internet.

A questão da qualidade chamou a atenção logo no início da Internet e tem recebido a atenção de entidades de certificação, como, por exemplo a Fundação HON (Health on Net), uma ONG criada em 1995, sediada na Suíça, pioneira nesse campo, que avalia as páginas de saúde com base em um código de conduta focalizando a credibilidade, ao qual ela solicita a adesão dos sites. Os que seguirem o código podem exibir o logotipo da HON, mas a Fundação não revisa formalmente os sites. O código se desenvolve em oito pontos que reproduzimos no Quadro 2.

Outra abordagem relativa à avaliação da qualidade dos sites de saúde é a proposta pelo Health Summit Working Group (
2), que representa o público em geral, fornecedores de serviços de saúde, e que realizou diversas reuniões de 1996 a 1998 com o objetivo de desenvolver e testar uma série de critérios de avaliação. Estes vão além do aspecto ético relativo ao conteúdo, envolvendo sete itens: credibilidade (que inclui a fonte e revisão editorial); conteúdo (exatidão, completude); manifestação sobre os objetivos do site; enlaces (links, avaliados conforme a seleção e conteúdo); design (navegabilidade, organização lógica) ; interatividade (mecanismos de feedback e de troca de informações entre usuários) e, por último, esclarecimento sobre seu caráter comercial ou não do site.

Quadro 2: Código de conduta da Health on the Net Foundation (HON)

1. Autoridade
Toda orientação médica ou de saúde contida no site será dada somente por profissionais treinados e qualificados, a menos que seja declarado expressamente que uma determinada orientação está sendo dada por um indivíduo ou organização não qualificado na área médica.

2. Complementaridade
A informação disponível no site foi concebida para apoiar - e não para substituir - o relacionamento existente entre pacientes ou visitantes do site e seus médicos.

3. Confidencialidade
Será respeitado o caráter confidencial dos dados dos pacientes e visitantes de um site médico ou de saúde - incluindo sua identidade pessoal. Os responsáveis pelo site se comprometem em honrar ou exceder os requisitos legais mínimos de privacidade de informação médica e de saúde vigentes no país e no estado onde se localizam o site e as cópias do site.

4. Atribuições
Quando for o caso, a informação contida no site será respaldada por referências claras às fontes consultadas, e, quando possível, tendo links HTML para estas fontes. A data em que cada página médica foi atualizada pela última vez será exibida claramente (no topo da página, por exemplo).

5. Justificativas
Quaisquer afirmações feitas sobre os benefícios e/ou desempenho de um tratamento, produto comercial ou serviço específico serão respaldadas com comprovação adequada e equilibrada, conforme indicado no Princípio 4.

6. Transparência na propriedade
Os programadores visuais do site irão procurar dispor a informação da forma mais clara possível e disponibilizar endereços de contato para os visitantes que desejem informação ou ajuda adicional. O webmaster exibirá seu endereço de e-mail claramente em todas as páginas do site.

7. Transparência do patrocínio
Os apoios dados ao site serão identificados claramente, incluindo a identidade das organizações comerciais e não-comerciais que tenham contribuído para o site com ajuda financeira, serviços ou recursos materiais.

8. Honestidade da publicidade e da política editorial
Se a publicidade é uma das fontes de renda do site, isto deverá ser indicado claramente. Os proprietários do site fornecerão uma breve descrição da política de divulgação adotada. Os anúncios e outros materiais promocionais serão apresentados aos visitantes de uma maneira e em um contexto que facilitem diferencia-los do material original produzido pela instituição gestora do site.

Fonte:
http://www.hon.ch