domingo, 7 de novembro de 2010

XV Congresso Brasileiro de Sociologia - Eu vou! :)

"Mudanças, permanências e desafios sociológicos" será o tema do XV Congresso Brasileiro de Sociologia, que será realizado de 26 a 29 de julho de 2011, em Curitiba (PR).

A Sociologia está baseada em uma firme tradição teórica e um consistente legado metodológico, ao mesmo tempo, que lida com questões contemporâneas que estão em permanente mutação. Dessa forma, somos desafiados a refletir de diversas maneiras sobre novos temas e novas formas de pensar que se impõem pela dinâmica da vida social.

O tema do XV Congresso Brasileiro de Sociologia pretende debater esta articulação entre a tradição e as transformações, inerentes ao objeto de estudo da nossa disciplina que são as relações sociais. A Sociologia é uma ciência da atualidade e lida com a articulação entre elementos da vida social, que se mantém ao longo da história de nossas sociedades, e as novas configurações que se impõem pela ação humana. Desse modo, ela se transforma como ciência porque precisa incorporar novas perspectivas e novas formas de compreensão da realidade.

Saiba mais sobre o evento aqui.

Reciis avalia entraves à democratização da comunicação no Brasil

Promover a reflexão sobre as políticas nacionais de comunicação e a troca de experiências, a fim de subsidiar a formulação de ações neste campo, foram os pontos focais do debate "Políticas de comunicação, democracia e cidadania". Realizado na manhã de quarta-feira (03/11), no auditório da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), o evento contou com a presença de especialistas que publicaram artigos na recente edição da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).

Organizado pelo pesquisador Rodrigo Murtinho, do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces/Icict/Fiocruz), o debate reuniu Guillermo Mastrini, professor da Universidade de Quilmes, Argentina; Marcos Dantas, pesquisador do Programa de Pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bia Barbosa, representante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social e o pesquisador e jornalista Álvaro Nascimento, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Na opinião de Murtinho, especialista em pesquisas sobre políticas públicas de comunicação no Brasil e suas interações com a saúde, a oportunidade de reunir artigos em uma edição especial da Reciis denota a valorização deste tema no país. Ideia surgida durante o processo preparatório da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no final de 2009 - que incluiu a realização de um seminário na Fiocruz e de um fórum durante o IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, também no ano passado - a edição do suplemento traz para a agenda pública uma discussão relevante: as políticas nacionais de comunicação são um entrave ao avanço da democracia e ao exercício pleno da cidadania.

O exemplo argentino

O professor da Universidade de Quilmes Guillermo Mastrini elogiou a iniciativa do Icict, que por intermédio da veiculação de um periódico eletrônico de acesso livre traz, para a agenda de uma instituição de saúde, o tema da regulação dos meios de comunicação, pauta debatida atualmente de forma pioneira por diversos países latinoamericanos. De acordo com o especialista argentino, não é possível haver democratização da comunicação se não há regulação democrática da comunicação, uma vez que os interesses das corporações dos meios de comunicação não coincidem totalmente com os interesses da sociedade.

Para Mastrini, a aprovação na Argentina, a partir de ampla mobilização social, da nova Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual (Lei dos Meios), cuja lógica modifica os critérios de distribuição das concessões de rádio e televisão, dará acesso paritário ao espectro para canais púbico/estatais, comerciais e de instituições sem fins-lucrativos. A lei, segundo ele, altera profundamente a estrutura do setor naquele país, tornando o Estado responsável pela garantia do direito social à comunicação.

"Para que haja de fato mudanças no modelo de comunicação, é essencial que dois atores atuem em consônância: o Executivo e a sociedade civil. Somente estes dois atores podem fazer com que a lei, quando criada, seja um ponto de partida para a implementação de uma política de comunicação democrática", pondera Mastrini.

Na acepção do pesquisador da UFRJ Marcos Dantas, no Brasil dificilmente o próximo governo escapará da tarefa de conduzir e concluir um amplo debate sobre a reorganização legal do conjunto das comunicações brasileiras. "Há uma percepção generalizada, tanto nos movimentos populares organizados quanto nos empresariais, inclusive em segmentos do próprio aparelho estatal, de estarmos vivendo sob total caos normativo nessa área de políticas de comunicação", avalia.

Segundo ele, o modelo neoliberal, que coloca o consumidor acima do cidadão, com base em uma suposta "liberdade" de escolha, atende de fato ao capital, ao mercado, que sobrepõe o individual ao coletivo. Consequentemente, se anula o poder de controle dos meios de comunicação pela sociedade e, a partir daí, a própria democracia. Dantas completa: "hoje existe um pequeno grupo de produtores de conteúdo que decide como esse conteúdo (veiculado nos meios de comunicação) atingirá o público, por meio da convergência de várias mídias, sem qualquer elemento regulatório. Por isso é importante a transformação das propostas aprovadas na Confecom em leis".

Déficit democrático em comunicação

"Quem observa de perto o desenvolvimento das políticas de comunicação no Brasil, desde o início da década de 1980, vê políticas públicas e processos de regulamentação que, na maioria dos casos, favorecem grandes atores empresariais e são usados para a manutenção de uma situação que não se transformou significativamente, a despeito das evidentes mudanças tecnológicas", argumenta Bia Barbosa, jornalista, especialista em direitos humanos e representante do Intervozes.

De acordo com Barbosa, embora o Brasil assista, há décadas, a um crônico déficit democrático em seu setor de comunicação, as políticas do país para essa área seguem sem apontar para a transformação desse panorama. Diante dessa realidade, a sociedade civil tem se movimentado para dar corpo a iniciativas que não sejam simples campanhas pontuais, mas que proporcionem espaço para passos mais largos rumo a referentes democráticos. Entre elas, destacam-se a Conferência Nacional de Comunicação e as propostas de indicadores do desenvolvimento da mídia e do direito à comunicação, também implementadas pela Unesco.
"A pertinência de buscar indicadores para o direito à comunicação fica evidente ao se observar o quadro atual das comunicações no Brasil. Apenas seis redes privadas nacionais de televisão aberta e seus 138 grupos regionais afiliados controlam 667 veículos de comunicação. Seu vasto campo de influência se estende por 294 emissoras de televisão VHF, que abrangem mais de 90% das emissoras nacionais. Somam-se a elas mais 15 emissoras UHF, 122 emissoras de rádio AM, 184 emissoras FM e 50 jornais diários", alerta a jornalista do Intervozes.

O caso da propaganda de medicamentos: a omissão da Anvisa

A incapacidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de incorporar proposições de órgãos de consumidores, entidades científicas, profissionais de saúde e especialistas em uso correto de medicamentos, obedecendo a uma lógica em que atuam os interesses das empresas privadas do setor, patrocinadoras de campanhas políticas, foi o mote da apresentação de Álvaro Nascimento, pesquisador da Ensp.

Para Nascimento, que pesquisou no mestrado e no doutorado exemplos de uso abusivo e irregular da publicidade para a venda de remédios, a omissão da agência reguladora expõe a sociedade a sérios riscos.
"Ao rejeitar, no âmbito da Consulta Pública 84/2005, instaurada para elaborar uma nova Resolução, 19 proposições encaminhadas por órgãos de consumidores, entidades científicas, profissionais de saúde e especialistas em uso correto do medicamento, dentre eles o próprio ministro Temporão, a Anvisa manteve todas as principais fragilidades do modelo regulador anterior, deixando de equiparar o modelo brasileiro aos mais avançados no mundo", lamenta Nascimento.

De acordo com o pesquisador, na ocasião da Consulta Pública, a Anvisa sequer considerou a possibilidade de criação de dispositivos legais que assegurassem a proibição da propaganda de medicamentos para grande público (mantendo-a para prescritores), mesmo que essa sugestão tenha sido subscrita por 133 especialistas no uso correto do medicamento. Juntos, esses setores representavam nada menos que 59,6% do total de contribuintes à Consulta Pública. A proposta fora aprovada, inclusive, na 1ª Conferência Nacional de Vigilância Sanitária, organizada em 2001 pela própria Agência.
"Faz-se necessária a ampliação do debate sobre essa ferramenta como instrumento efetivo de participação e controle social, com vistas à criação de novos procedimentos e políticas que a tornem uma real instância de ausculta e incorporação de propostas de interesse da sociedade. É preciso impedir que esses processos não sofram interferência dos setores regulados e tragam prejuízo aos reais interesses da saúde pública", defende Nascimento.

Leia mais na edição especial da Reciis.

Fonte: http://www.fiocruz.br/icict/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1848&sid=18

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

De volta ao blog!

Olá a todos que (ainda) acompanham este blog!

Após quase dois meses de muita leitura para a dissertação e da produção, assessoria e cobertura do X Seminário do Projeto Integralidade, estou de volta ao meu cantinho virtual. Nesse breve tempo, tive algumas ideias para atualizar esse espaço, mas sempre deixava para depois, devido às demandas mais urgentes do período - entre elas, "desafogar" parte dos textos selecionados para dar um início real à construção do meu trabalho final de mestrado.

Combinei com a minha orientadora (Marcia Teixeira) que, entre os meses de setembro e outubro, começaríamos a construir o meu projeto para qualificação. Um pequeno esboço do que foi feito até o momento já se encontra disponível no meu Dropbox, assim como a nova organização de pastas dos documentos relativos à dissertação, e um relatório das leituras desse período.

Os últimos dois meses foram de imersão no campo da Pesquisa Colaborativa - autores (Chompalov e Shrum, Katz e Martin, Cummings e Kiesler, e Martin-Rodríguéz foram os mais relevantes) e conceitos sobre o tema e o papel da comunicação para a área, ainda pouco explorada pela maior parte dos artigos lidos até agora. Também realizei um levantamento dos documentos existentes na rede sobre os objetos de pesquisa (Instituto Virtual da Dengue - IVD) e Programa Integrado da Doença de Chagas (PDIC), para conhecer a história e a estrutura de ambos, com vistas a auxiliar na construção do projeto e da entrevista semi-estruturada, metodologia que elegemos para este trabalho.

Próximo passo? Partir para a construção dos trabalhos finais das disciplinas desse semestre.  ;)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sobre os novos objetos

IVD - Instituto Virtual da Dengue

No Rio de Janeiro, por iniciativa de grupos da UFRJ, FIOCRUZ, UFF, UERJ e UENF têm-se procurado organizar uma rede de pesquisadores em dengue, que foi a base sobre a qual foi gerada a proposta de constituição do Instituto Virtual da Dengue-RJ. No total, mais de sessenta projetos envolvendo inúmeros pesquisadores e estudantes de pós-graduação e de iniciação científica irão estudar diversos aspectos da doença, desde a biologia estrutural e a genômica do vírus, a fisiologia e a ecologia do mosquito, a interação do vírus com as células humanas e do inseto, passando pela busca de formas de tratamento e prevenção da dengue através do controle do vetor e do desenvolvimento de vacinas, até a pesquisa acerca do papel da educação e da informação no combate a dengue.


PIDC - Programa Integrado de Doença de Chagas

O PIDC, Programa Integrado de Doença de Chagas, começou a ser articulado a partir de iniciativa de pesquisadores da Fiocruz reunidos em Cachoeiras de Macacu-RJ em 2000. Em novembro de 2005, momento de maior maturidade institucional e apropriado ao desenvolvimento de trabalhos em redes temáticas, foi realizado o II Encontro do PIDC, em Caxambu-MG. Em reunião em janeiro de 2006, o PIDC foi oficialmente criado com apoio da Vice Presidência de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico, reunindo pesquisadores das diversas Unidades da Fiocruz. O PIDC procura articular a cooperação entre pesquisadores em redes temáticas, de modo a aumentar a eficiência da pesquisa institucional e fortalecer a capacidade de captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas relevantes que dêem retorno à sociedade. Esta iniciativa vem assegurar uma contribuição efetiva da Fiocruz para o controle da doença de Chagas no século XXI, com metas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, buscando, em especial, resultados no ano do centenário de sua descoberta (2009).

Leitura complementar









A Inteligência Coletiva: por uma Antropologia do Ciberespaço
, de Pierre Lévy (Ed. Loyola, 2003)

A Magia dos mundos virtuais está cada dia mais ao alcance do grande público: o número de usuários das redes mundiais de comunicação informatizada aumenta 10% ao mês. As "auto-estradas da informação" e a multimídia interativa anunciam uma mutação nos modos de comunicação e de acesso ao saber. Emerge um novo meio de comunicação, de pensamento e de trabalho para as sociedades humanas: o ciberespaço. Como nossa cultura será afetada por ele? Teremos apenas uma supertevê ou renovaremos o vínculo social no sentido de uma maior fraternidade? Neste livro, Pierre Lévy nos convida a pensar, além do impacto das técnicas sobre a sociedade, em termos de projeto. Os novos meios de comunicação permitem aos grupos humanos pôr em comum seu saber e seu imaginário. Forma social inédita, o coletivo inteligente pode inventar uma "democracia em tempo real", uma ética de hospitalidade, uma estética de invenção, uma economia das qualidades humanas. O autor situa o projeto da inteligência coletiva em uma perspectiva antropológica de longa duração. Depois de ter sido fundados na relação com os cosmos, na "pertença" aos territórios e finalmente na inserção no processo econômico, a identidade de pessoas e o vínculo social poderiam expandir-se no intercâmbio de conhecimentos.

Fonte: Submarino

Uma Rede Social para Pesquisa Colaborativa

A colaboração entre grupos, pesquisadores e especialistas da mesma área de pesquisa é fundamental para o avanço da pesquisa e de seus resultados. Entretanto, a pesquisa colaborativa é muitas vezes dificultada por fatores como distância geográfica, desconhecimento de pesquisadores e grupos de pesquisa, e indisponibilidade por parte de algum dos lados. O resultado são pesquisadores trabalhando de forma isolada com pouca ou nenhuma interação com outros pesquisadores.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco criou o Labbos, uma rede social que visa estimular a colaboração entre pesquisadores de áreas de pesquisa semelhantes. Segundo os estudantes, quando bem organizadas e estruturadas, redes sociais podem contribuir significativamente com o desenvolvimento da pesquisa científica através da colaboração e cooperação entre os participantes.

Atualmente, existem alguns serviços que auxiliam pesquisadores em tarefas específicas. Entre alguns destes
serviços podemos destacar: publicação de artigos no PLoS ONE, compartilhamento de referências científicas no CiteULike e integração de pesquisadores na rede social BiomedExperts.

Mais sobre o projeto Labbos aqui.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Agosto, mês do desgosto?

Olá pessoal,

Após os trabalhos finais e "férias" (apenas das aulas), estou de volta. Passadas as noites em claro, à base de muita cafeína, e a preocupação com os resultados (positivos, por sinal) das avaliações, posso dizer que finalmente minha vida acadêmica começa a dar os primeiros passos. O mês de agosto, ao contrário do que dizem por aí, só trouxe gratas surpresas.  A primeira delas é que, agora, sou bolsista da Capes. Ou seja: dedicação exclusiva para aulas, participação em pesquisa, congressos, seminários, etc. Paradoxalmente, significa também um pouco mais de tranquilidade.

A segunda é que já tenho orientadora (a Profª Marcia de Oliveira Teixeira), tema e título (ainda que provisório) da dissertação: O uso de estratégias de comunicação e de redes de pesquisa: o estudo de caso do Instituto Virtual da Dengue e do Programa Integrado de Pesquisa em Chagas. Estou associada ao Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia, Educação e Cultura (CiTec).

As novidades não param aí: mudei para a famosa Linha 1: Informação, Comunicação e Inovações em Saúde, feliz da vida. E animada para conhecer a produção dos meus novos (mas nem tanto) colegas.

Não estou assustada com os 107 textos da pesquisa que tenho para ler, nem com o fato de ter de me apresentar de "surpresa" amanhã. E isso é inédito.