terça-feira, 18 de outubro de 2011

Flashes do VIII Encontro...


Hotel Porto Real, em Mangaratiba (RJ), onde o evento aconteceu

Os coordenadores do Programa, Constança Britto e Alejandro Hasslocher
 Reunião das Redes:

 

Tania Araújo-Jorge apresenta a história do Programa 

Vista do quarto :D

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mangaratiba é palco de evento sobre doença de Chagas

Nem a paisagem paradisíaca de Mangaratiba (RJ) fez com que cerca de 60 pesquisadores e estudantes de pós-graduação deixassem o auditório. Tudo isso, para discutir os avanços no estudo e no combate à doença de Chagas, que matou mais de 25 mil pessoas no Brasil desde 2004.  O 8º Encontro do Programa Integrado de Doença de Chagas (PIDC) da Fiocruz foi realizado de 14 a 16 de setembro. Durante o evento, foram discutidas as realizações de 2010/2011 e as metas de 2011/2012 do PIDC, assim como o papel dos laboratórios de referência e políticas e programas educacionais.
 Foto: Gutemberg Brito

 “Me orgulha estar aqui e fazer parte disto. Se depender de mim o PIDC sempre será incentivado para que continue fazendo sucesso”, enfatiza Claude Pirmez.
A vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Claude Pirmez, disse que o momento é de alegria. “Fiz questão de estar aqui pela importância do PIDC e por ter a oportunidade de encontrar tanta gente querida. O Programa que existe há mais de dez anos, tem caráter multidisciplinar e reúne diversos centros de pesquisas da Fiocruz”, diz. Segundo Claude, a doença de Chagas foi o que internacionalizou a Fundação e que projetou a ciência brasileira.
“A principal meta do PIDC é vincular a pesquisa institucional de forma integrada e multidisciplinar para que sejamos capazes de unir esforços para captação de recursos e para o desenvolvimento de projetos que deem retorno à sociedade”, sublinha Constança Britto, uma das organizadoras do encontro e coordenadora-geral.
 Foto: Gutemberg Brito

De acordo com Constança Britto, a ideia do PIDC é agregar pesquisadores de diferentes unidades da Fiocruz e de outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil.
Renato Vieira Alvez, representante de Jarbas Barbosa, Secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, apresentou as mudanças no perfil epidemiológico da doença de Chagas e da soroprevalência da infecção em adultos e crianças. “Foram notificados casos agudos de doença de Chagas em alguns locais do Brasil. Hoje, esta notificação é obrigatória e deve ser feita imediatamente tanto para surtos como para casos isolados”, afirmou. De acordo com dados apresentados por Alvez, entre 2000 e 2010 foram registrados 1087 novos casos em todo o Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Os casos de infecção aguda aconteceram em 2009 e 2010, atingindo maior incidência em indivíduos entre 20 a 39 anos. Naqueles anos, foram registrados 391 casos. A transmissão da doença ocorre pela picada do vetor, inseto conhecido como barbeiro, e também em decorrência da ingestão de alimentos como o açaí e a cana-de-açúcar, que são triturados com o inseto infectado pela parasita Trypanosoma cruzi.
O representante destacou a importância de se ter sempre um canal de comunicação aberto entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde. “Nós entendemos, dentro da SVS, que não só as mudanças do perfil epidemiológico e transmissão da doença de Chagas devem ser analisadas, mas tudo o que envolve este tema deve ter uma interface com a Fundação. Devemos repensar e reformular a vigilância epidemiológica da doença”, conta.
‘Nova vigilância’ 
No encontro, Renato Alvez apresentou uma proposta do que seria uma “nova vigilância epidemiológica”, que possa prevenir e reduzir os danos causados pela doença descoberta pelo cientista Carlos Chagas em 1909. Para a SVS, “o ano de 2011 está sendo um fundamental para identificar os focos residuais de Triatoma infestans e ampliar mais o conhecimento sobre vetores.” Ele afirmou que o Sistema Nacional para registro das atividades de campo sobre a doença ainda está em construção. “Há uma capacitação insuficiente em estados e municípios, pois constatamos a falta de recursos humanos e financeiros. Precisamos mudar este quadro”, diz.
Foto: Gutemberg Brito

Renato Vieira Alvez, representante da SVS, apresentou dados atuais sobre a doença de Chagas. Em cinco anos (2004-2008), foram 24.708 óbitos provocados pela doença.
A nova proposta de vigilância epidemiológica dos casos humanos da doença de Chagas é centrada “nas ações de prevenção de casos e na redução de danos, baseadas na identificação de situações de risco e na vigilância de casos agudos e crônicos de forma indeterminada”.
Os próximos passos desta proposta são: estabelecer mecanismos mais eficientes para o controle da transmissão oral na região Amazônica e a transmissão vetorial com vetores não domiciliados; detalhar situações ‘inusitadas’ como transmissões verticais e acidentais; e buscar medicamentos, terapêutica e ensaios clínicos mais eficazes. “Há que se definir o critério de cura, avaliar o percentual de cura e de complicações, conhecer a efetividade e o impacto do tratamento de casos crônicos, avançar em estratégias com maior participação dos agentes da Saúde da Família, ficar atento aos efeitos adversos do medicamento Benzonidazol, entre outros”, pondera. O representante afirma também a necessidade da coleta de mais informações sobre os vetores e a ecologia de ciclos de transmissão do Trypanosoma cruzi, sobre a resistência dos barbeiros a inseticidas, sua distribuição na Amazônia, além de desenvolver ferramentas mais sensíveis para detecção do vetor em ambientes silvestres.
“Um outro aspecto crucial que merece toda nossa atenção é a educação. Ela é decisiva para a obtenção do sucesso da estrutura da vigilância. Ela tem que ser a protagonista desta estratégia. O fortalecimento das ações voltadas para a realidade da comunidade, a vigilância entomológica e a participação comunitária são importantes. Temos que ter uma educação continuada entre universidades, a capacitação de técnicos e a educação no ensino fundamental”, finaliza.
PIDC
Há onze anos, o Programa Integrado de Doença de Chagas (PIDC) começou a ser articulado a partir de iniciativa de pesquisadores da Fiocruz. Em 2006, o PIDC foi oficialmente criado com apoio da vice-Presidência de Pesquisa da Fiocruz, reunindo pesquisadores de seis unidades da Fundação: o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR), Centro de Pesquisas Ageu Magalhães (CPqAM), Centro de Pesquisas Gonzalo Moniz (CPqGM), Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) e Instituto Carlos Chagas (ICC).
O PIDC articula a cooperação entre pesquisadores em cinco redes temáticas, de modo a aumentar a eficiência da pesquisa institucional e fortalecer a capacidade de captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas relevantes que dêem retorno à sociedade. A iniciativa assegura a contribuição efetiva da Fiocruz para o controle da doença de Chagas no século XXI, com metas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

João Paulo Soldati
15/09/11
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

scriptLattes: Mão na roda!

Uma boa parte do meu relatório sobre os produtos de colaboração da rede está sendo gerada com o auxílio luxuoso do scriptLattes. Não conhece? É uma ferramenta para extração e visualização de conhecimento a partir de Currículos da Plataforma Lattes. Este projeto de software livre está sendo desenvolvido no CCSL-IME/USP por Jesús P. Mena-Chalco e Roberto M. Cesar-Jr. O programa, desenvolvido em Perl, permite a extração e compilação de:
  • produções bibliográficas
  • produções técnicas
  • produções artísticas
  • orientações
  • participação em bancas examinadoras
  • participação em comissões julgadoras
  • eventos
  • grafo de colaborações
  • mapa de pesquisa de um conjunto de pesquisadores cadastrados na plataforma Lattes.



O scriptLattes baixa os Currículos Lattes de um grupo de pessoas de interesse, compila as listas de produções, eliminando as publicações duplicadas e similares. São geradas páginas HTML/JSP com listas de produções e orientações separadas por tipo e colocadas em ordem cronológica invertida. Estes relatórios gerados permitem avaliar, analisar ou documentar a produção de grupos de pesquisa.



Assista um vídeo com o exemplo de execução da ferramenta. Uma pequena ressalva: atenção para a data da atualização do curriculo Lattes que será analisado. Quanto mais atualizada, maior a fidedignidade das informações.





Sai IVD, volta PIDC. E agora?

É, amigos. Nos últimos dois meses, minha pesquisa tomou (mais) um novo rumo: a ausência de documentos primários e a dificuldade de rastrear os pesquisadores de uma rede (Instituto Virtual da Dengue/IVD) que existiu formalmente, mas não veio a gerar produtos, me levou a revisitar o caso do Programa Integrado da Doença de Chagas (PIDC), previsto inicialmente para ser estudado junto com o IVD. A banca da qualificação aconselhou escolher apenas uma das redes, visto que o tempo do mestrado era relativamente curto para dar conta das demandas de pesquisa.

Uma vez decidido, minha próxima etapa foi entrar em contato com os coordenadores da rede para solicitar  a autorização da pesquisa. Com a resposta afirmativa, dei entrada no Comitê de Ética com o meu projeto no final de junho. O próximo passo foi escrever para os coordenadores das cinco redes do PIDC para uma conversa inicial e levantar os documentos primários para análise.

Primeira a responder e marcar a conversa, a Dra. Tania Araújo-Jorge foi, coincidentemente, uma das fundadoras da rede. Ela, que é diretora do Instituto Oswaldo Cruz, falou sobre a história do grupo e a importância da comunicação nele. E ainda fui convidada para a oitava edição do encontro anual do PIDC, que será realizado nos dias 14, 15 e 16 de setembro, em Angra dos Reis (RJ). De quebra, estou ajudando a preparar um relatório sobre os produtos gerados pelas colaborações do grupo, junto com a assessora de pesquisa do programa - que também será uma parte da minha dissertação. Além da revisão bibliográfica, que já está em andamento, o meu trabalho já vem tomando forma. O próximo passo? As entrevistas! Mas esse é um assunto para os próximos meses... ;)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Conhecendo os autores: Karin Knorr-Cetina

Karin Knorr-Cetina (também Karin Knorr Cetina) (nascida em 19 de julho, 1944 em Graz, Áustria) é uma socióloga austríaca conhecida por seu trabalho em epistemologia e Construcionismo Social, resumidos nos livros A Fabricação do Conhecimento: Um Ensaio sobre o construtivista e a natureza contextual da Ciência (1981) e Culturas epistêmicas (1999). Atualmente, ela se concentra no estudo das microestruturas globais e Estudos Sociais de financiamento. Karin Knorr é professora adjunta de Teoria da Sociologia na Universität Konstanz e professora convidada da Universidade de Chicago.

Conhecendo os autores: Bruno Latour

Bruno Latour (Beaune, 22 de junho de 1947) é um filósofo e antropólogo francês. Sua principal contribuição teórica é - ao lado de outros autores como Michel Callon - o desenvolvimento da ANT - Actor Network Theory (Teoria ator-rede) que, ao analisar a atividade científica, considera, enquanto variáveis, tanto os atores humanos como os não humanos, estes últimos devido à sua vinculação ao princípio de simetria generalizada.

Conhecido pelos seus livros que descrevem o processo de pesquisa científica, dentro da perspectiva construtivista que privilegia a interação entre o discurso científico e a sociedade, os de maior destaque são "Jamais Fomos Modernos" e "Ciência em Ação".

Latour possui doutorado em filosofia e é professor da École nationale supérieure des mines de Paris e da Universidade da Califórnia em San Diego. Realizou estudos etnográficos na África e na América, mas sua etnografia mais conhecida foi feita no Laboratório de Neuroendocrinologia do Instituto Salk, na Califórnia. Ela deu origem ao livro Vida de Laboratório, escrito em parceria com o sociólogo inglês Steve Woolgar.

Confira o site oficial (em inglês e francês) de Bruno Latour aqui.

Fonte: Wikipedia.

Leitura do período - Maio 2011




"A Vida de Laboratório - A produção dos fatos científicos", de Bruno Latour e Steve Woolgar (Ed. Relume Dumará)

Como ocorre a produção de fatos científicos? No mundo todo a antropologia já estudou tribos, costumes exóticos, representações simbólicas, tradições populares e os cultos mais complexos. Mas a indústria, a técnica, a ciência e a administração pouquíssimas vezes foram estudados.

Ninguém imagina como é o dia-a-dia de um laboratório - técnicos que entram e saem, pesquisadores debruçados em suas bancadas e pilhas de papel, instrumentos, materiais, substâncias químicas e animais que chegam a todo momento, milhares de dólares gastos a cada dia e, talvez, algum mistério decifrado. "Um quebra-cabeça quase terminado guiado por um campo invisível", define o etnólogo francês Bruno Latour.

Ele chegou no Laboratório de Neuroendocrinologia do Instituto Salk, na Califórnia, disposto a "presenciar descobertas científicas e estudar os pesquisadores como se fossem uma tribo exótica". No início, não sabia se estava em uma reunião do Estado-Maior, em algum dispositivo policial ou até mesmo entre conspiradores. Pareciam todos jovens executivos dinâmicos que discutiam estratégias, investimentos, guerrilhas e viradas radicais. Passado o choque inicial e após dois anos mergulhado na "desordem heterogênea e confusa de um laboratório", Latour se uniu ao sociológo inglês Steve Woolgar para analisar a produção social do objeto científico. Assim nasceu este estudo inédito sobre a vida de laboratório e a produção dos fatos científicos.