POSSIBILIDADES DA COMUNICAÇÃO EM SAÚDE NA INTERNET
A Internet se tornou um veículo tanto de ações do governo, como de ONGs, de profissionais de saúde, de voluntários e de empresas, originando o complexo denominado abreviadamente e-health, ou e-saúde (para eletrônica), o termo mais amplo para se referir ao amplo espectro de atividades usando tecnologias em saúde, cuidados de saúde e saúde pública. Baur, Deering e Hsu (in ASPDEN e KATZ, 2001) popõem o seguinte quadro dessas atividades. 
Comunicação Interativa em Saúde - CIS - é o termo proposto por Eng e Gustafson (1999) para se referir à "interação de um indivíduo com ou por meio de um dispositivo eletrônico ou tecnologia de comunicação para acessar ou transmitir informação de saúde ou receber ou prover orientação e apoio sobre um assunto relativo à saúde" (1). Assim, a busca de informação em saúde na Internet, a participação em bate papos virtuais e de grupos de apoio, o envio e-mails para provedores de serviços de saúde são formas de comunicação interativa em saúde. A CIS pode cumprir seis funções específicas, segundo os autores: comunicar informação individualizada; habilitar a tomada de decisão informada; promover comportamentos saudáveis; viabilizar a troca de experiências e apoio mútuo; promover o auto-cuidado; gerenciar a demanda por serviços de saúde.
Para os autores, a comunicação interativa em saúde significa uma série de benefícios para os usuários. Ela aumenta as oportunidades para levantar informações talhadas para necessidades específicas ou características de indivíduos ou grupos de usuários. Melhora as capabilidades de vários meios, combinando texto, áudio, imagens, a fim de encontrar formas específicas a propósitos determinados ou aos gostos dos usuários. Permite aos usuários permanecerem anônimos ao obterem informações, enquanto as pessoas poderiam se sentir desconfortáveis, numa situação pública ou numa discussão face a face. Ela aumenta a disposição dos participantes em discutir sobre saúde, riscos comportamentais, medos e incertezas e amplia o acesso à informação e o apoio solicitado, porque os recursos podem ser usados de forma mais versátil. A CIS aumenta a oportunidade de os usuários interagirem com profissionais de saúde ou encontrar apoio de outros em situação semelhante, através de e-mail. Finalmente, a comunicação interativa em saúde aumenta a capacidade de disseminação das informações e sua audiência é crescente, com pequeno custo, desde que a infraestrutura esteja implantada.
Mittman e Cain (in RICE, 2001) indicam algumas características da Internet que a tornam particularmente propícia para atender às necessidades dos usuários e organizações de cuidados de saúde:
1 - Baixo custo. Para os autores, o custo mensal dos serviços de provimento da Internet, bem como o custo do computador são pequenos e os usuários ainda podem contar com o acesso cada vez mais comum em bibliotecas e escolas, além do local de trabalho. No entanto, no Brasil, o custo da Internet, pelo contrário, pode representar uma barreira. Apesar de que na classe média a inserção na rede se torna cada vez mais comum, a exclusão digital é um dado importante no Brasil, onde a Internet provavelmente continuará distante das massas por algum tempo. Se tomarmos o custo do ponto de vista dos provedores de informações e de websites, então realmente se aplica a característica: é muito mais econômico criar, manter e hospedar uma página virtual do que fazer uma publicação em papel, por exemplo ou comprar um horário em um veículo de radiodifusão. É esse fato, aliás, que pode explicar o surgimento de um tão grande número de sites de saúde em tão pouco tempo.
2 - Facilidade de uso. Os programas de navegação, seguindo a tendência dos programas pós-Mac e Windows, são intuitivos e não exigem qualquer conhecimento técnico, tornando a navegação e a busca atividades prazerosas porque dão a sensação de domínio: com uma pressão no mouseobtém-se um acesso, às vezes imediato.
3 - Democratização. Antes da Internet, somente grandes instituições tinham condições de disseminar seu ponto de vista, o que agora está acessível a qualquer pessoa, empresa ou grupo de interessados. O resultado, do ponto de vista do usuário, é uma variedade enorme de perspectivas sobre assuntos de saúde. Qualquer pessoa, mesmo um adolescente, pode desenvolver uma página e hospedá-la em um provedor gratuito, aumentando as oportunidades do protagonismo na área da saúde.
4 - Longa distância. O fornecimento de serviços de saúde é inerentemente um fenômeno local, enquanto a Internet é essencialmente um fenômeno global. Isso significa que é possível obter informação médica, aconselhamento de fontes em qualquer local do planeta, contribuindo para a diversidade da informação disponível.
5 - Funcionalidade crescente. A Internet ganha cada vez mais sofisticação e funcionalidade e novos recursos provêm um rol mais rico de capacidades para realizar interfaces e para integração de sistemas de informação de saúde.
A Internet é um meio de comunicação absolutamente singular e extremamente poderoso em comparação com os meios convencionais. É redundante lembrar que ela já é, hoje, um veículo com recursos para gerar interesse visual, pelo uso da cor, da variedade de fontes, fotos, grafismos, movimento (filmes e animações), num ambiente sonoro e interativo. São condições propícias ao planejamento e produção de mensagens atraentes, com fortes atrativos gráficos.
Ao lado desses aspectos formais, é importante destacar a capacidade da Internet de oferecimento quantidades maciças de informação escrita, distribuída ou não em partes, por meio dos enlaces de hipertexto. De folhetos a livros inteiros podem ser baixados em segundos, copiados eletronicamente ou impressos pelo usuário. Trata-se de uma capacidade única que torna a web a novíssima estrela na pesquisa acadêmica. Na verdade, essa qualidade faz da Internet uma inexcedível biblioteca virtual global, que se atualiza diariamente.
Albuquerque (2002), após um exame comparativo das propriedades dos meios de comunicação de massa em comparação com a Internet conclui:
... o estudo da comunicação mediada pelo computador não pode ser satisfeito pela concepção de "meio de comunicação" que foi consagrada pelo modelo E-M-R (meio como intermediário de um processo de transmissão de mensagens). Ao invés disso, é necessário fazer apelo a uma outra concepção, na qual o meio de comunicação é entendido como um meio ambiente complexo a ser explorado pelos seus usuários. O que está em questão aí não são apenas as mensagens veiculadas através dos meios, ou o modo como elas produzem ou expressam relações (inerentes ou transcendentes ao processo de comunicação) entre emissores ou receptores mas, em grande medida, as relações que tais agentes estabelecem entre si através das tecnologias da comunicação por eles empregadas.
Na mesma perspectiva, a peculiaridade que vemos na Internet como meio de comunicação diz respeito à sua configuração em teia (web), ligando virtualmente todos os pontos entre si, sendo cada ponto potencialmente uma fonte e um usuário. Os meios de comunicação convencionais fazem ou a distribuição da informação (caso de jornais, revistas, cinema, TV a cabo) ou a sua difusão (TV e rádio). Em decorrência da sua configuração em teia, a Internet instaurou um meio único de compartilhamento de informações, ou seja, o acervo da rede é construído coletivamente por milhões de colaboradores, pessoas e organizações, que, em princípio, estão em pé de igualdade na sua colaboração. Essa abertura para as contribuições individuais é que confere à rede a sua riqueza inexcedível, a incrível variedade de formas e conteúdos e sua permanente renovação.